São Paulo, SP- Os dois tornados que atingiram anteontem parte do município de Criciúma, no sul de Santa Catarina, podem voltar a acontecer. A informação é do meteorologista Mamedes Luiz Melo, do Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura.
''Desde que haja as condições atmosféricas, ou seja, calor e umidade, o fenômeno pode voltar a acontecer não só em Santa Catarina mas em outros Estados da região Sul do país'', afirmou Melo.
Os ventos danificaram cerca de 70 casas, destruíram outras três e provocaram a queda de árvores e postes. O fornecimento de luz também foi afetado.
Melo disse que é difícil prever os tornados com um período de antecedência muito grande. ''O Brasil não possui equipamentos para detectar esse tipo de fenômeno. Os equipamentos podem informar com uma ou duas horas de antecedência se ocorrerá algum tornado.''
Os ventos em Criciúma foram registrados das 15h15 às 16 horas de segunda-feira. Um dos tornados durou aproximadamente sete minutos. A Defesa Civil Estadual afirma que os ventos superaram os 115 km/h.
A região da Vila Manaus foi a mais atingida. Uma mulher de 62 anos morreu em consequência de uma parada cardíaca, no momento da passagem do tornado, no bairro Santa Luzia. O destelhamento de casas deixou feridos.
De acordo com a Defesa Civil, o fenômeno de anteontem foi caracterizado preliminarmente como tornado de força 1, de intensidade moderada.
Para Ana Maria, da Unesp, a frequência dos tornados no Brasil, não só em Santa Catarina, está aumentando, embora ainda não haja explicação para isso. ''Um deles ocorreu em 30 de setembro de 1991, na região de Itu'', conta. ''Depois, veio outro, em 14 de maio de 1994, que causou grandes danos em Ribeirão Preto.''
Não foram os únicos. Um dos mais intensos ocorreu em 25 de maio de 2004, em Palmital, próximo de Assis. ''Por volta de 14 horas, um tornado provocou o deslocamento de um ônibus com mais de 50 trabalhadores que cortavam cana na área, causando 2 mortes e ferindo os demais'', diz Ana Maria. ''No mesmo dia, em torno de 17 horas observou-se um outro tornado, próximo de Lençóis Paulista, na região de Bauru, que resultou em grande destruição aos canaviais da região.''
O agrometeorologista Hilton Silveira Pinto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), observa o aumento da média de temporais devido ao aumento da temperatura. ''A urbanização aumenta a poluição, que por sua vez eleva a temperatura em até 3 ou 4 graus'', explica. ''Com o calor aumenta o número de tempestades e, por consequência, de tornados.''

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