Tornado provoca destruição no Oeste do Estado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de janeiro de 2018
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
A bacharel em Direito Daiana Andrea Muller registrou no sábado (8), entre 14h15 e 14h50, um tornado na zona rural de Toledo. "Foi bem estranho. Levei um susto e tanto. Nunca tinha visto um tornado de perto. Já tinha acontecido em Marechal Cândido Rondon, mas ver um tornado se formando ao seu lado nunca tinha acontecido comigo", declarou Muller. A bacharel mora no distrito de Vila Nova, em Toledo. (Oeste), a sete quilômetros de onde tudo aconteceu.
Ela relata que estava com o seu namorado quando viu a nuvem começar a afunilar. "Começou bem fino. Estava com muito vento e estava muito frio. De repente, a nuvem começou a afunilar, desceu e encostou no meio do matagal. Aí começou um estrondo bem forte e começou a estragar tudo. Resolvi parar de filmar porque começou a ficar cada vez mais forte e a gente saiu com medo dali para escapar", destacou.
Muller conhece a família da propriedade atingida pelo tornado. "Eu disse 'Meu Deus'. Eu sabia que a residência era próxima da granja e fiquei preocupada. Só me tranquilizei quando outras famílias que moram na região falaram que está tudo bem", afirmou.
A diretora de segurança e membro da Defesa Civil de Toledo Sirley Galbiati esteve ontem na propriedade, que foi atingida pelo fenômeno climático. "Quando cheguei vi que havia muita destruição. A granja de suínos tinha um galpão com 534 leitões e ao lado tinha uma maternidade de suínos com 48 matrizes. Esses dois galpões ficaram destruídos. Nunca tinha visto algo semelhante", afirmou Galbiati.
Ela revelou que os ventos destruíram um outro galpão que estava com maquinário agrícola. "Os proprietários da casa tiveram muita sorte. Foi uma coisa de Deus, porque destruiu os galpões e não fez nada na casa e eles ficavam muito próximos um do outro. O mais incrível é que o dono da propriedade tinha deixado o feno e a melancia lado a lado, e o feno ficou totalmente espalhado, já a melancia, que estava ao lado da casa ficou intacta, nem se mexeu", declarou.
SIMEPAR CONFIRMA
O meteorologista do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) Tarcízio Valentin da Costa confirmou que o fenômeno foi um tornado. "Para isso o funil precisa tocar o solo. Na estação meteorológica não foi registrado nada, mas pelo vídeo e pelas informações do radar meteorológico indicando forte instabilidade atmosférica no momento confirmaram que se tratava de um tornado" , explicou Costa.
A velocidade estimada dos ventos foi acima 110 km/h. "Uma forte instabilidade se formou na região porque o clima estava quente. O cumulo nimbus, que é a nuvem de tempestade, tem corrente de ar de forma circular. Por isso a destruição é grande", expôs.
Ele explicou que os tornados sempre existiram no Brasil, mas não havia comunicação com a agilidade que existe hoje. "Mesmo quem mora em área rural pode gravar o fenômeno e compartilhar na hora", destacou.


