Brasília, 23 (AE) - O relator do Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara, Moroni Torgan (PFL-CE), disse hoje que poderá pedir ao Itamaraty a retirada do embaixador do Suriname no Brasil, Rupert Lawerence Christopher. Torgan acusa o embaixador de estar envolvido com o cartel de drogas do Suriname, que seria controlado pelo ex-ditador surinamês Desi Delano Bouterse.
Segundo a Polícia Federal (PF), o Suricartel, como é conhecido, tem ramificações em seis Estados brasileiros, cujo líder no País é o traficante Leonardo Dias Mendonça. Mendonça, que está preso, prestou depoimento hoje à CPI e negou qualquer ligação com Bouterse.
"Há fortes possibilidades de pedirmos a retirada desse embaixador do Brasil", afirmou o relator. As acusações de Torgan contra Christopher estão baseadas em dois livros publicados na Holanda ("A caça a Desi Bouterse", de John van de Heuvel, e "Chefão Bouterse", de Marcel Haenen), que trazem informações de dois dossiês da polícia daquele país sobre as relações da quadrilha do ex-ditador do Suriname com o cartel de drogas colombiano. Nos livros, o embaixador aparece como um integrante ativo do grupo - há até mesmo o relato de um suposto encontro entre o narcotraficante colombiano Pablo Escobar e Bouterse, no qual estaria presente o embaixador.
Torgan disse que não teme nenhum incidente diplomático entre Brasil e Suriname, em consequência das investigações da CPI, e se mostrou irritado com a atitude do Christopher de se negar a depor. Segundo o deputado Fernando Ferro (PT-PE), que tentou contato formal com a embaixada surinamesa pelo Itamaraty, Christopher disse que "não reconhece na comissão autoridade para o investigar".
"A insistência do embaixador em não querer depor só corrobora as suspeitas que recaem sobre o seu envolvimento com o cartel de drogas chefiado por Bouterse", afirmou o relator. Hoje, a CPI ouviu 12 integrantes da quadrilha de Mendonça, acusado de ser o líder do braço brasileiro do grupo do ex-ditador surinamês. Segundo o superintendente da PF do Pará, Geraldo de Araújo, Mendonça trocava armas compradas no Suriname por pasta de cocaína vendida por guerrilheiros colombianos da Farc.
"Em três anos, apreendemos 2,4 toneladas de cocaína e 24 aeronaves que estavam nas mãos da quadrilha do Leonardo", disse. O traficante foi preso em novembro, em Marabá, Sul do Pará. Mendonça também é citado em depoimento prestado à polícia holandesa por Bernardus Annand Nanhu, que trabalhou para o traficante brasileiro.
Nanhu conta que participou de um encontro entre Mendonça e o filho do ex-ditador do Suriname Dino Bouterse com o narcotraficante Bert Mangal. O encontro era para discutir, segundo a testemunha, a compra de armas e munições que seriam usadas como moeda de troca na aquisição de cocaína colombiana.

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