Torgan encaminhará amanhã pedido de cassação de Zé Alex
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 29 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE)
encaminhará amanhã (29) o pedido de cassação do mandato do deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), que assumiu há sete dias a vaga deixada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal, por quebra de decoro parlamentar.
Segundo Torgan, Aleksandro "faltou com a verdade" ao dar informações, durante depoimento dado ontem à CPI, sobre seu patrimônio e omitiu a informação de que tem uma chácara na cidade Senador Guiomar, no Acre, cidade que é controlada, de acordo com o relator, pela família de Hildebrando. Pascoal foi cassado na quarta-feira da semana por quebra de decoro parlamentar e está preso no Batalhão de Operações Especiais (Bope) de Brasília.
Torgan afirmou que o deputado cometeu crime de perjúrio, por ter mentido em depoimento sob juramento ao falar sobre os bens que possui.
Durante o depoimento, que começou às 17h e até às 22h não havia terminado, os deputados aprovaram a quebra de sigilos fiscal, telefônico e fiscal da mulher de Aleksandro, Kely Pessoa de Oliveira, e determinaram que seja encaminhada sua declaração de imposto de renda de 1998.
Em depoimento, Aleksandro disse ainda que não informou à Receita Federal a existência de tal chácara em sua declaração de imposto de renda (ano base 1998), o que caracteriza crime de sonegação fiscal.
O requerimento determinando a cassação de Aleksandro será enviado à CPI, que pode remeter à presidência da Câmara a solicitação para que o parlamentar tenha seu mandato cassado.
Na avaliação de Torgan, a comissão poderá encaminhar à presidência da Câmara a abertura do processo de cassação do mandato de Aleksandro.
Segundo o relator, durante o depoimento, a sonegação fiscal geralmente é uma prática dos envolvidos em narcotráfico, porque não há como provar a origem lícita da renda. Aleksandro é acusado de participar do grupo do ex-deputado Hildebrando ligado a grupos de extermínio no Acre e com o narcotráfico.
O parlamentar também responde a um processo na 2ª Vara Criminal do Acre por dervio de R$ 1,2 milhão da verba publicitária da Câmara de Vereadores de Rio Branco.
Para o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), Aleksandro tem um patrimônio incompatível com a sua renda. Antes de assumir a vaga deixada por Pascoal, o deputado do PFL ganhava R$ 6 mil como vereador.
A chácara foi adquirida por ele por R$ 50 mil, paga em cinco prestações de R$ 10 mil, segundo Torgan. Ele ainda tem uma outra propriedade em Porto Acre e uma casa em Rio Branco.


