Torgan diz que ajuda dos EUA levou a consumo de drogas no Brasil
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terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 30 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE)
disse hoje que a ajuda financeira dada pelos Estados Unidos ao Brasil transformou o País de simples rota a mercado consumidor de drogas. Isso ocorreu, segundo ele, porque a colaboração implicou no direcionamento das investigações para as rotas internacionais de interesse dos Estados Unidos deixando em segundo plano o comércio interno. Com isso, as rotas nacionais ficaram livres, concluiu Torgan.
Segundo Torgan, esse problema não ocorreu apenas no Brasil. "Em todos os lugares em que os Estados Unidos têm ajudado o consumo interno aumentou", acusou o deputado. Citando dados do Parlamento Latino-americano, Torgan afirmou que, com 100 mil habitantes, a ilha caribenha de Aruba tem hoje mais de dois mil viciados crônicos. "A Venezuela, que era só rota, passou a ser grande mercado consumidor", acrescentou.
O ministro-chefe do gabinete de segurança institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, afirmou hoje que "o Brasil está passando, rapidamente, da condição de apenas país de trânsito da droga que demanda os grandes mercados dos Estados Unidos e da Europa para, também, de consumidor". Por esse motivo, ele disse ser necessário direcionar as ações de combate ao narcotráfico para os interesses do País. Cardoso afirmou que não quer que o País se transforme num "tanque de contenção" da droga.
O delegado da Polícia Federal Getúlio Bezerra Santos defendeu a adoção do capitalismo de repressão. Por meio desse mecanismo, o dinheiro apreendido com os criminosos seria aplicado nas atividades de repressão ao próprio crime. Caso isso fosse adotado no País, não seria necessário pedir ajuda internacional, segundo o delegado. Essa ajuda, acredita Santos, pode trazer certa subserviência.
O general Alberto Cardoso afirmou que as estruturas criminosas têm deficiências e que os esquemas podem ser desmascarados principalmente no momento da legalização do dinheiro proveniente de crimes. Cardoso defendeu a atualização da Lei Penal e a adoção de medidas anticrime internacionalmente bem-sucedidas como a infiltração de agentes de inteligência ou de polícia especializada em organizações criminosas, que ainda não existe no Brasil.


