Torcedores depredam 49 ônibus
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Cláudio Augusto 
São Paulo, 23 (AE) - Quarenta e nove ônibus das empresas que operam em São Paulo foram depredados por torcedores do Corinthians ontem, após a partida em que o time paulista se sagrou campeão brasileiro, diante do Atlético de Minas. Além do prejuízo material, a ação dos "vândalos" - na definição do diretor operacional da São Paulo Transporte (SPTrans), Luiz Flaviano Furtado - traz complicações para quem usa ônibus. Com menos carros nas ruas, aumenta o tempo de espera. Furtado informou que as depredações são comuns em dias de jogos. "Se ganha é pela euforia; se perde é pela frustração".
Só neste ano, a SPTrans, que gerencia o sistema na cidade, registrou 315 ônibus depredados numa frota de 10.400, que transporta 3,75 milhões de passageiros diariamente. Os atos de vandalismo custaram às empresas cerca de R$ 200 mil em 1999. E não são causados só por torcidas. Em dias de greve, sindicalistas recorrem à depredação para intimidar motoristas e cobradores que não aderem à paralisação.
Para o diretor da SPTrans, deve-se reforçar o policiamento preventivo para combater o vandalismo, especialmente no caso de torcidas, que até desviam os ônibus de seus itinerários na volta para casa. "São gangues". As entidades que organizam as competições, segundo Furtado, deveriam repassar parte do faturamento das partidas para a SPTrans, para diminuir o prejuízo das empresas. A colaboração entre a Federação Paulista de Futebol e a SPTrans não seria uma novidade.
Foi Paulo Maluf (PPB), prefeito entre 1993 e 1996, quem anulou o acordo entre o Município e a entidade. Para Maluf, o que a Prefeitura recebia não cobria os gastos com a recuperação dos ônibus depredados e a renúncia à tarifa. O transporte entre o centro e o Estádio do Morumbi era gratuito.
Nos próximos dias, a SPTrans vai entregar ao Ministério Público Estadual "um dossiê" sobre as depredações. Furtado acha que os promotores podem ajudar a resolver o problema. Se isso não ocorrer, acena com a possibilidade de retirar os ônibus de circulação na hora em que os torcedores estão indo para o estádio.


