Auckland, Nova Zelândia, 24 (AE) - Os tripulantes do barco italiano Luna Rosa estão preparados para enfrentar, na noite desta sexta-feira, os experientes velejadores neozelandeses do NZL-60/Black Magic e, também, as decisões da Comissão de Regata da Americas Cup, formada por membros do Royal New Zeland Yacht Club, onde está a taça conquistada há 5 anos pelos "kiwis". A terceira prova da série decisiva melhor-de-9 está marcada para às 22h15 (horário brasileiro) no Golfo de Hauraki, em Auckland, Nova Zelândia.
O clima para as próximas regatas está mais pesado por causa da polêmica decisão tomada pela Comissão há 2 dias, quando deveria ter sido disputada a terceira regata. Os italianos, que perdem por 2 a 0, ficaram indignados com o adiamento da prova. O tático brasileiro da equipe Prada, Torben Grael, acusou os organizadores de estarem beneficiando o time da casa. "É um sinal de fraqueza deles não querer enfrentar a gente nessas condições. Durante a Louis Vuitton - as eliminatórias da Americas Cup - corremos várias regatas com menos vento. Agora, tínhamos 8 ou 9 nós e dava muito bem para correr. Ninguém é trouxa. Todo mundo viu que dava para fazer a regata." A Comissão alegou que o vento, além de fraco, estava rondando com uma variação acima de 20 graus, o que dificultava a colocação das bóias para a formação da raia ideal. "Eles falaram isso porque precisavam dar uma desculpa para o público. Se forem esperar o vento parar de rondar, nunca vai ter regata aqui", assegurou Torben.
O país que defende a Americas Cup sempre teve o direito de criar as regras da competição, usando-as deliberadamente para o próprio benefício, como fez o New York Yacht Club durante 132 anos. Torben lembra do discurso que ouviu, em 1995, feito pelo diretor da equipe neozelandesa. "Quando o Peter Blake ganhou a última copa, disse que, a partir de agora, iria prevalecer o espírito esportivo, com igualdade para os 2 lados. Falar que vai ser honesto e depois não cumprir é melhor não dizer nada."
Apesar da revolta contra a decisão da Comissão de Regata, Torben tenta se conformar com a tradição das regras que beneficiam os defensores da taça. "Americas Cup sempre teve todo esse folclore e, pelo jeito, aqui não vai ser diferente. Os caras fazem o que querem. Se quiserem correr só com o vento acima de 10 nós, vai ser assim. Para nós tentarmos ganhar deles, terá de ser desse jeito e acabou."

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