Torben é o cérebro que conduz o vitorioso Prada
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Valéria Zukeran 
Auckland (AE) - O cérebro da tripulação vitoriosa do barco italiano Prada Challenge, líder absoluto das três etapas da Louis Vuitton Cup, é brasileiro. Medalha de ouro na Olimpíada de 1996 e prata em 1984 na classe Star, mais bronze em 1988 na classe Soling, Torben Grael enfrenta um desafio como tático da equipe que está investindo US$ 50 milhões na competição, seletiva para a Americas Cup.
A responsabilidade do iatista brasileiro é grande. O tático define quais serão as manobras a serem realizadas em uma regata. Um erro pode custar a vitória. Torben foi convidado pessoalmente pelo proprietário do Prada, Patrizio Betelli, para exercer esta importante função e ajudar o comandante Francesco de Angelis a levar os italianos para a disputa da Copa América contra a Nova Zelândia, em fevereiro.
Torben afirma que seu trabalho no Prada é específico. "Enquanto na Star eu acumulo funções de timoneiro, comandante, tático, regulagem de vela e outros, na Louis Vuitton tudo é separado - uma pessoa para cada trabalho", explica.
Marcação - Segundo o iatista, na Star a tripulação compete contra 50 até 100 barcos e é difícil "marcar" um adversário sem que diversos outros te ultrapassem. Na Louis Vuitton a competição é por confronto direto - dois barcos disputando vitória na regata. "Então o trabalho de marcação ou de sair da marcação é muito mais presente", explica Torben. O maior desafio é superar os ventos instáveis de Auckland e combinar o trabalho de marcação, com os saltos de ventos.
Torben explica que, até janeiro, a tripulação do Prada vai treinar e trabalhar para desenvolver o equipamento, voltando a ter o mesmo desempenho das duas primeiras etapas, quando perdeu apenas uma regata. Segundo Torben, as duas derrotas da última etapa foram consequência da maior evolução dos adversários. O iatista não acredita que a troca do barco original para o barco reserva na terceira etapa teve influência direta no resultado.
"Nossa curva de crescimento é agora menos acentuada, e com isso as regatas tornaram-se mais disputadas", avalia Torben sobre a queda de desempenho. Segundo ele, o sorteio das chaves, que colocou o Prada em disputas difíceis logo nas primeiras rodadas, também influenciou. "O importante, no entanto, era apenas classificar para as semifinais", explica o iatista, que considera a conquista de 63 pontos na última fase um bom resultado.
Desgaste - Com uma prova tensa com vários dias de duração, Torben precisa superar o desgaste. "É preciso equilibrar o descanso com o tempo, que é muito curto entre uma rodada e outra
para preparar novas alterações nos barcos, sempre visando melhorar o desempenho."
Mas Torben não está sozinho. A família, que está na Nova Zelândia, é um ponto de apoio. "Apesar das dificuldades das crianças de terem de estudar via correio, a experiência para eles é imensurável", conta Torben. "Além de eles terem aprendido duas novas línguas (italiano e inglês), o contato com culturas diferentes da nossa só tem a enriquecer a vida deles abrindo seus horizontes."


