Torben é criticado pelo dono do Luna Rossa
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Ary Pereira Jr 
Auckland, 01 (AE) - Quando a tripulação do barco Luna Rossa, pisou em terra depois da quarta derrota consecutiva para os neozelandeses, pelas finais da America's Cup, o presidente da grife Prada e dono da equipe italiana, Patrizio Bertelli, já havia preparado um comunicado à imprensa, na verdade, direcionado aos velejadores. A nota oficial escrita em papel timbrado da Prada, misturava revolta e ironia: "em um dia, com ventos totalmente favoráveis ao Luna Rossa, que já havia provado ser tão veloz como o NZL-60, uma tática suicida deu a regata de presente aos neozelandeses, na comemoração do trigésimo-oitavo aniversário de Russell Coutts".
O comandante do Black Magic completou 38 anos dia primeiro de marco. O tático brasileiro do Luna Rossa, Torben Grael, constrangido, deu um sorriso amarelo quando leu o comunicado que criticava diretamente a função que ele exerce a bordo do veleiro. "É o lado passional italiano. Para eles tudo é exagerado. O Bertelli sempre reage assim. Quando as coisas vão bem, somos heróis; quando vão mal, tratam a gente como vilões". Conforme o rodízio nas posições de partida, o Luna Rossa largou a direita, teoricamente a melhor situação. Torben foi questionado por não ter defendido o lado direito da raia, "roubado" pelo Black Magic momentos depois da largada. "Antes de a regata começar o vento estava variando em torno de doze graus. Por isso achei normal eles cruzarem a nossa popa e nós ficarmos à esquerda, esperando que o vento tivesse o mesmo comportamento de alguns minutos atrás. Mas uma mudança repentina levou o vento mais de 20 graus à direita, para o lado deles, que aproveitaram e conseguiram cruzar na nossa frente antes da primeira bóia" , justificou Torben Grael.
O velejador brasileiro é o responsável pela escolha do rumo do Luna Rossa durante as regatas. Precisa pensar rápido a todo momento e passar as decisões ao comandante Francesco De Angelis. "Achamos que estávamos fazendo o que era correto. Mas a gente só tem certeza do que foi feito, depois que as coisas acontecem. Faz parte da tática da regata. Acho que nem eles esperavam ser tão favorecidos pelo vento à direita", lamentou Torben.
O vento predominante no Golfo de Hauraki, soprou na direção nordeste, com intensidade fraca, entre seis e dez nós (10 a 18km/h), exatamente como os italianos desejavam para tentar equilibrar as forcas contra os neozelandeses, teoricamente melhores com ventos fortes porque possuem um barco mais veloz.
A quarta regata da série melhor-de-nove pelas finais da America's Cup precisava ser disputada por uma questão de honra para os organizadores. Os neozelandeses temem que a competição de 2000 fique conhecida como a America's Cup "No Race", por causa dos excessivos adiamentos. A Comissão de Regata não hesitou em dar a largada com o vento de apenas sete nós, a intensidade mínima necessária para se fazer a prova.


