Toque melhora saúde de bebê prematuro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 02 (AE) - Um simples toque pode melhorar a saúde de bebês prematuros em incubadoras. O toque neuronal aumenta a produção de imunoglobina A - célula de proteção do organismo - e melhora a capacidade respiratória e a frequência cardíaca. O método foi criado pela médica brasileira Elvidina Adamson Macedo
da Universidade de Londres. Ele está sendo testado no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, no Grande Rio, e em outros dois hospitais, na Europa e nos Estados Unidos.
O neuropsiquiatra Jairo Werner, coordenador do trabalho no Brasil, testou o método com 29 bebês, todos com menos de 900 gramas e que respiravam com auxílio de aparelhos. Ele constatou que os bebês aumentam a produção da imunoglobina A três minutos depois de tocados.
"Não se trata de massagem ou do-in", explica Werner. "São toques suaves e continuados nas terminações nervosas da pele". Ele acredita que o bebê tem uma sensação prazerosa ao ser tocado, que o faz produzir uma substância anestésica natural
a endorfina. "Se a depressão no adulto diminui quando ele produz essa substância, na criança se pode imaginar, por analogia,que ela melhora o quadro físico."
Congresso - A médica Elvidina Adamson Macedo começou as pesquisas sobre o toque neuronal em 1984, mas só no ano passado sua eficácia foi comprovada e o trabalho apresentado em um simpósio em Atlanta, nos Estados Unidos. "Isolamos a imunoglobina A na saliva do bebê e percebemos aumento dessa substância três minutos depois do toque", informa Werner.
Werner vai apresentar os resultados da pesquisa no 15º Congresso Brasileiro de Neurologia e Psiquiatria Infantil, que começa amanhã (03) e vai até o dia 6, no Rio. De acordo com o médico, o trabalho de Elvidina abriu um novo ramo de estudos, a Psiconeuroimunologia do Bebê, que estuda as transformações da criança a partir de estímulos físicos.
Também está em estudo a padronização de um teste neuropsicológico para detectar precocemente doenças neurológicas como a paralisia cerebral. A partir de gravações em vídeo serão testados reflexos do bebê e a simetria de movimentos. "Esse teste barateia o tratamento e é ideal para hospitais com menos recursos tecnológicos", afirma Werner. A ressonância magnética seria usada para confirmar o diagnóstico.


