Toninho Magalhães era um dos acusados de exigir propina do prefeito
São Paulo, 16 (AE) - O vereador Toninho Magalhães (PMDB) estava entre os acusados por crime de concussão - usar o cargo público para exigir vantagem indevida - na representação encaminhada ao Ministério Público Estadual (MPE) em 31 de maio. As investigações em andamento têm como base 12 parlamentares que teriam exigido propina do prefeito Jovino Cândido (PV) em troca da cassação de Néfi Tales (PDT) e de apoio político.
Magalhães foi acusado por Cândido de ter solicitado, por meio de interlocutores, R$ 25 mil para dar prosseguimento à Comissão Processante (CP) - que investigava a falta de repasse de recursos devidos à Câmara por Tales - e para apoiá-lo no Legislativo. A comissão afastou o então prefeito em dezembro. Outra suposta exigência do vereador seria uma secretaria municipal. Magalhães vinha negando todas as acusações. Quando procurado para comentar as denúncias, em 11 de maio, afirmou: "De uma coisa você pode estar certo: não estou envolvido com corrupção". Depressão - O comportamento de Magalhães na Câmara de Guarulhos mudou desde a divulgação dos fatos. Estava deprimido, alegava problemas de saúde e testemunhas não descartavam a possibilidade de ele cometer suicídio. Até o prefeito disse que ouviu o mesmo comentário, em entrevista coletiva na segunda-feira.
Com a divulgação dos vídeos da conversa, na qual o Jovino Cândido relata os supostos esquemas de pedido de propina ao deputado Elói Pietá (PT) - diante do empresário Luís Roberto Mesquita, que gravou tudo -, Magalhães ficou ainda mais deprimido, segundo colegas de plenário. "Ele disse que não estava envolvido em nada e não queria mais saber de política", confidenciou um vereador. Investigação - Desde o início de junho, está em andamento na Promotoria de Justiça e Cidadania de Guarulhos um procedimento preparatório para instauração de inquérito civil contra os 12 parlamentares e contra outro, acusado por crime de advocacia administrativa. O promotor Nadim Mazloum oficiou os vereadores, para que eles respondessem às acusações por escrito, e está ouvindo testemunhas. O prazo para conclusão do procedimento termina em setembro.
Foram citados na representação, além de Magalhães, os vereadores Waldomiro Ramos (PTB), Paulo Roberto Cecchinato (PDT)
Roberto Ribeiro (PMDB), Wanderley Figueiredo (PL), Oswaldo Celeste (PPB), Obreiro Jackson (PST), Geraldo Celestino (PFL), Peter Pong (PSD), Sebastião Alemão (PSDB), Silvana Mesquita (PT do B), Gilberto Penido e Fausto Martello (ambos PPB). A Polícia também apura as denúncias. (Marcelo Ventura)





