Tonelero derrama óleo na reflutuação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de janeiro de 2001
Agência Estado Do Rio 
O presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) do Rio, Axel Grael, disse que a órgão estuda multar a Marinha por dano ambiental durante a operação de reflutuação do submarino Tonelero S-21, que afundou na noite de 24 de dezembro. Axel disse que houve um pequeno vazamento de óleo na Baía de Guanabara que teria saído da casa de máquinas. A proa e a vela do submarino já estão à mostra na superfície desde a madrugada de ontem, mas não há prazo para o fim da operação de resgate.
Nós não podemos precisar a quantidade de óleo que vazou, mas acho que houve um equívoco da Marinha no trabalho de reflutuação do Tonelero, criticou Grael, que esteve de manhã no cais do Arsenal do 1º Distrito Naval, na Praça Mauá, centro do Rio, onde ocorreu o naufrágio. Grael ressaltou, porém, que todos os cuidados foram tomados para evitar o vazamento de óleo dos tanques do submarino, que têm capacidade para armazenar 300 mil litros de combustível.
Ainda há riscos (de acidente), mas muito pequeno, disse o presidente da Feema, que preferiu não dizer qual o valor da multa a ser aplicada contra a Marinha. O vazamento da casa de máquinas teria sido o motivo pelo qual a Marinha teria resolvido mudar a operação de reflutuação do submarino, que passou a ser feito por meio do bombeamento da água do interior do aparelho para uma barcaça, e não mais por injeção de ar comprimido. Este novo método é considerado mais seguro, porém, demorado, já que é feito manualmente.
O diretor do Serviço de Relações Públicas da Marinha, capitão-de-mar-e-guerra Luiz Fernando Palmer, estranhou a declaração de Grael. Ele esteve aqui hoje (ontem) e elogiou o nosso trabalho, que, inclusive, vem sendo acompanhado de perto por técnicos da Feema, disse Palmer. A área ao redor do Tonelero S-21 está cercada por duas barreiras de bóias uma de contenção de óleo, na cor laranja, e outra, de cor branca, para absorção de resíduos.
A equipe de resgate tem utilizado ainda um pó químico, parecido com serragem, que absorve óleo que escapa das bombas de sucção. Segundo o chefe do Estado Maior da Força de Submarinos, capitão-de-mar-e-guerra José Carlos Resende, quatro bombas de sucção (de esgotamento) estão retirando água do interior do Tonelero 24 horas por dia. Por enquanto, já retiramos entre 20% e 30% da água contida no interior da embarcação, afirmou.
As bombas foram colocadas no submarino por meio de um condutor instalado na escotilha de máquinas. O trabalho de sucção vem sendo feito manualmente por mergulhadores no interior do aparelho. É um trabalho delicado, porque as bombas são muito pesadas e o chão irregular do submarino cria poças de óleo e água de difícil absorção, explicou Resende.
A água sugada do Tonelero é despejada em uma barcaça, de onde é transferida para outra barcaça fundeada ao lado do cais. Esta segunda barcaça é responsável por levar o líquido até uma unidade da Marinha, na Ilha do Governador, onde a água é separada do óleo e devolvida ao mar. Na operação de resgate trabalham cerca de 50 pessoas, das quais 30 mergulhadores.
O chefe do Estado Maior da Força de Submarinos não quis avaliar os danos materiais causados ao Tonelero com o naufrágio, nem especular sobre as causas do acidente. O submarino foi adquirido pela Marinha em 1977 por US$ 40 milhões.


