Morreu ontem, quatro dias após seu 100º aniversário, Tomi Nakagawa, a última imigrante japonesa que chegou ao Brasil a bordo do navio Kassatu Maru, em 1908 junto da primeira leva de japoneses que pisou em solo brasileiro. O corpo de Tomi está sendo velado desde ontem no Templo Budista Nishi Hongandi, localizado na Rua São Luis, 85 (Centro). Uma missa será realizada às 9 horas e o sepultamento está marcado para às 10h30 no Cemitério São Pedro.
Familiares e amigos de Tomi estiveram reunidos no velório recordando bons momentos vividos com a imigrante. Segundo Setsuyo Yano, filha de Tomi, sua mãe estava alegre e ''se sentindo muito bem'' na noite anterior do seu falecimento. ''Ela jantou, se trocou, fez tudo sozinha. Estava conversando bastante e brincando até a hora de ir dormir. Hoje (ontem) cedo quando era umas 6h30, fui chamá-la... Ela não acordou mais'', contou.
Para Setsuyo, todos que conheceram Tomi guardarão boas lembranças de sua mãe. ''Ela sempre falava que a gente tem que ser feliz. Era uma pessoa muito animada e sorridente. Adorava contar coisas do passado. Ontem mesmo quando a fisioterapeuta foi em casa fazer exercícios com ela, ela ficou falando da época em que trabalhava na roça'', comentou.
No dia 6 de outubro, Tomi tinha completado 100 anos. ''Seria feito uma festa pra ela'', comentou o outro filho, Kuataro Nakagawa. A festa estava sendo preparada e seria realizada na sede campestre da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), no próximo domingo.
A chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos, no litoral paulista em 1908, é considerada um marco inicial da imigração japonesa no Brasil. Tomi Nakagawa veio para o Brasil junto com a comunidade japonesa que desejava desbravar as terras brasileiras. Aos 22 anos casou-se com Massagi Nakagawa, que veio jovem ao Brasil para trabalhar e com ele teve sete filhos. Tomi, que era viúva, deixou filhos e 37 netos.

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