Educação ambiental embalada por músicas de Tom Jobim. Essa combinação inspirou a criação de um kit, composto de vídeos, livros, partituras musicais, fitas e sementes de árvores para plantio, que está sendo distribuído para alunos de 400 escolas da rede pública de sete Estados do país - SP, RJ, ES, PR, MG, GO e DF.
O maestro Tom Jobim, que morreu em 94, sempre foi simpatizante de causas ecológicas.
O kit ‘‘Tom da Mata’’ tem como público alvo professores e alunos de 5ª a 8ª série, com idades que variam de 10 a 15 anos. Professores de escolas capixabas foram os primeiros a ser submetidos à capacitação em educação ambiental e já iniciaram a introdução do kit.
Nos dez vídeos que compõem a série, uma banda musical formada por quatro adolescentes toca canções de Tom Jobim. Elas são entremeadas por jogos de RPG (jogo interativo que mistura teatro e tabuleiro) e discussões sobre temas ecológicos.
O vídeo ‘‘O Homem e a Mata’’ discute o processo de extinção da mata atlântica - reduzida de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, em 1500, para os atuais 86,2 mil quilômetros quadrados.
Entre as causas da mata estar sendo dizimada, está o problema do lixo. As reciclagens industrial e caseira são apresentadas no vídeo como alternativa para a recuperação da mata.
Uma versão inédita em português para a música ‘‘Forever Green’’ - originalmente composta para a Eco 92 -, foi escrita e interpretada pelo neto do compositor, Daniel Jobim. ‘‘Sempre Verde’’ é uma das 14 músicas de Tom que permeiam os programas. A canção também faz parte do cancioneiro (coleção) e da fita que compõem o kit.
Um depoimento de Tom Jobim sobre seu conhecimento e fascínio pela mata é introduzido em um trecho do documentário ‘‘Visão do Paraíso’’.
O projeto, idealizado pela Fundação Roberto Marinho, foi realizado em parceria com Furnas e Instituto Antonio Carlos Jobim e contou com o apoio da SOS Mata Atlântica.
Por ser um projeto concebido a partir das músicas do maestro, o ‘‘Tom da
Mata’’ foi beneficiado pela Lei de Incentivo à Cultura. No total, seu custo foi estimado em R$ 1,8 milhão.
A introdução do kit em sala de aula deve ser iniciada oficialmente no ano letivo de 99.
Algumas escolas estaduais já receberam o material e estão implementando os trabalhos de educação ambiental entre os alunos.
Professores de várias disciplinas estão sendo treinados pela Fundação Roberto Marinho. Na capacitação, eles discutem métodos de aplicação do kit e fazem dinâmicas de grupo.
Em Marechal Floriano (ES), os alunos de 1º e 2º graus de uma escola estadual estão produzindo um vídeo, baseado na mata atlântica local. ‘‘Estamos resgatando a história do nosso trecho de mata atlântica. Estudamos ‘in loco’ sua formação, detectamos os motivos dela ter sido dizimada e propomos sugestões de como preservá-la’’, afirmou o professor de língua portuguesa Valmere Santana, 30 anos. Segundo ele, a repercussão da adoção do kit tem sido ótima entre os alunos. ‘‘Esse material tem contribuído à educação’’, disse.

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