Tolerar leite na vida adulta é fruto de mutação genética
Tomar leite parece algo inerente à humanidade. Mas segundo médicos, só as crianças estão verdadeiramente preparadas para isso. Segundo Rejane Mattar, médica responsável pelo laboratório da gastroenterologia do Hospital das Clínicas, quem tolera leite na idade adulta sofreu uma mutação genética.
Ou seja, o ''normal'' seria que todas as pessoas fossem intolerantes ao leite após a infância. ''Os mamíferos foram feitos para tomar leite só quando são filhotes. A humanidade sofreu uma mutação'', explica.
''O ser humano nasce para ingerir leite até os dois anos de vida'', ressalta Fabrício de Almeida Dominguez, gastroenterologista da Unifesp. A partir dessa idade, a produção da enzima começa a cair.
Existem três tipos de intolerância à lactose. A mais comum acontece depois de uma certa idade, que pode ser desde a infância até velhice, e a pessoa passa a não suportar a lactose.
A mais rara e grave é a congênita, quando o bebê nasce sem tolerar nem o leite materno. É marcada por diarréia forte logo nos primeiros dias de vida.
A temporária ocorre após infecções intestinais. A membrana do intestino fica tão machucada que as células -responsáveis pela produção da lactase- são afetadas. Costumam durar até duas semanas.
A intolerância à lactose é muito comum: chega a atingir 70% da população ocidental após os 40 anos. O problema ocorre porque o intestino delgado não produz -ou produz menos- a enzima lactase, que existe para quebrar o açúcar do leite (lactose).





