Lima, 04 (AE-AP) - O quarto relatório da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o processo eleitoral peruano, que ontem (03) à noite considerou serem viáveis as próximas eleições, causou surpresa nos círculos opositores e provocou reação indignada do candidato presidencial oposicionista Alejandro Toledo.
Falando hoje à imprensa, o mais forte rival do presidente Alberto Fujimori exortou a missão da OEA a não "maquilar" o questionado processo que conduzirá os peruanos às urnas no domingo.
Toledo advertiu a OEA sobre o risco de tornar-se "cúmplice de um processo absolutamente desigual, cheio de irregularidades", depois de ter sinalizado, na semana anterior, para a possibilidade de desqualificar o mesmo processo. Para o ex-chanceler guatemalteco Eduardo Stein, chefe da missão da OEA, no entanto, cabe apenas ao povo peruano decidir se as condições são "ainda viáveis" para comparecer às urnas e aceitar os resultados.
Stein esclareceu ainda que houve uma confusão a respeito da função atribuída à missão da OEA, já que compete apenas à máxima autoridade eleitoral peruana, o Superior Tribunal Eleitoral, invalidar ou desqualificar o processo.
Enquanto uma associação peruana de observação eleitoral, a Transparência, assinalava que na última semana a campanha eleitoral prosseguiu em seu processo de deterioração, e que as recomendaç•es feitas por quatro missões internacionais de observadores não foram atendidas pelo governo, o relatório agradou aos governistas.
Segundo estes, o informe de Stein reconhece que sua missão não pode desqualificar o processo eleitoral peruano. E Jorge Santistevan, à frente da Defensoria Pública, esclareceu que "a única anulação possível teria de ser declarada pelo Superior Tribunal Eleitoral", enquanto "a única desqualificação válida teria que partir dos próprios eleitores".

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