De olho nos índices de aprendizagem, o movimento Todos pela Educação acompanha as ações e retrocessos no setor. A coordenadora de projetos, Thaiane Pereira, ressalta que Estados como o Ceará e Goiás apresentaram avanços importantes nos últimos dez anos. Porém, é preciso implantar medidas de forma integrada para melhorar a qualidade do ensino em todo o País.

“Estudos mostram que metade do desempenho de um aluno é dado por fatores que estão fora da escola como a família e o entorno socioeconômico em que ele vive. É preciso que o Brasil construa políticas de juventude, políticas para a primeira infância que tenha uma atenção não só para o estudante, mas que contemplem de forma intersetorial também questões do entorno da vida desses jovens. Temos tido muito pouca resposta do governo federal em relação ao que vai ser feito”, completa.

A coordenadora em Londrina do Mestrado Profissional em Ensino de Matemática na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Marcele Tavares, acrescenta que também é preciso repensar os cursos de licenciatura. “Quando a gente pensa em um ensino de qualidade, a gente não tem que pensar em um ensino homogêneo. Precisamos olhar o cotidiano e ir além do conteúdo cobrado nessas avaliações externas. Os cursos de licenciatura ainda estão moldados em modelos em que o professor é o detentor do conhecimento. Um desafio é rever esse formato tornando os professores mediadores do processo de aprendizagem”, avalia.

Os integrantes da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, Aliel Machado (PSB) e Luísa Canziani (PTB) afirmam que buscam melhorias para o ensino de qualidade. “Lutamos para que seja implementado efetivamente o Plano Nacional de Educação e para que se aumentem os recursos investidos no setor. A comissão tem buscado dados, debatido com a sociedade e cobrado do governo para que não faça o corte de verbas no ensino superior e na educação básica”, destaca Machado.

“Na Câmara estamos focados na apresentação de projetos inovadores que contribuam para melhorar a qualidade do ensino. Na prática, já desenvolvemos vários projetos na rede pública de ensino na região de Londrina. Nós só vamos mudar o nosso país quando mudarmos a maneira como pensamos e agimos sobre educação”, ressalta Canziani. Entre os projetos desenvolvidos estão a premiação de alunos com bom desempenho, a capacitação de professores e o incentivo à participação em olimpíadas de matemática. (V.C.)

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