'Todo mundo queria que a ditadura acabasse'
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sexta-feira, 07 de abril de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Afrânio Brandão, relata que a visita do presidente Arthur da Costa e Silva à Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina aconteceu em um momento em que todos brigavam contra a ditadura. "Eu era jovem e, embora não participasse de reuniões para derrubar o governo, brigava contra a ditadura. Todo mundo queria que a ditadura acabasse. Eu era novo, estudei fora de Londrina e me lembro bastante dessa época", conta. Ele destaca que foi um período bastante complexo e tumultuado. "Não eram momentos agradáveis. O grau de conturbação é bastante semelhante com o que aconteceu no ano passado. Pelo menos naquela época tinha mais segurança. Eu estava entrando no curso de Engenharia em Bauru (SP). Nós, estudantes, saíamos às ruas na luta pela democracia.", declara.
Segundo ele, o maior problema é que quando o regime militar acabou, não havia mais líderes no País. "As únicas pessoas que entravam na nossa casa eram pela TV ou pelo rádio. Essas pessoas de imprensa chegaram ao poder, mas a grande tristeza é que nós lutamos bastante para ter uma democracia e essa liderança nova não soube o que fazer com a tomada de posição", critica.
Segundo ele, o fato de Costa e Silva ter vindo a Londrina só demonstra a importância do evento. "A Exposição sempre teve representatividade nacional. Tivemos Celso Garcia Cid, que foi pioneiro na importação de gado zebu. Tivemos três presidentes da Sociedade Rural do Paraná que se tornaram prefeitos em Londrina. Ele ressalta que o município sempre foi um espelho, e sempre teve uma das grandes exposições nacionais. "Tivemos discussões homéricas de presidentes da SRP que tiveram posições contrárias às dos presidentes da República que vieram aqui", aponta.(V.O.)


