Todo cidadão deve ter
noções de primeiros socorros

Curso ensina a funcionários da Folha como atender de imediato vítimas de acidentes




Cesar Augusto

Aula teórica, na sala de treinamento do jornal


Aula prática (simulação), na rua


Ana Olympia, a instrutora, ensina primeiros socorros


A turma de socorristas, no encerramento do curso



Em fevereiro os membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e outros interessados participaram de um curso de primeiros socorros, ministrado por Ana Olympia Marcondes Dornelles, diretora de Enfermagem da Maternidade Municipal de Londrina e portadora de certificado do curso de instrutora do Siate.
Ana Olympia observa que todo cidadão deveria ter noções de primeiros socorros, pois isto evitaria até que pessoas morressem por falta de ajuda imediata ou por socorro inadequado, como por exemplo no transporte da vítima a um hospital. Ela destaca que o primeiro atendimento a uma vítima, até a chegada do resgate por pessoal especializado poderá evitar lesões futuras, ou que uma pessoa morra por falta de oxigênio no cérebro, se está desacordada ou não pode respirar. A respiração boca-a-boca manteria o cérebro da vítima oxigenado até chegar o socorro médico. ‘‘Em um minuto pode-se salvar a vida de uma pessoa’’, salienta a enfermeira, que tem dado esse tipo de curso também para outras empresas. Além de dirigir a equipe de enfermagem da maternidade, ela acompanha o estágio do curso de Auxiliar de Enfermagem da Prefeitura de Londrina.
SolidariedadeAna Sílvia, do RH, fez o curso. Ela salienta a importância do voluntariado para a atividade de socorrista: ‘‘Não adianta ser um curso obrigatório. Socorrista tem que ter espírito de solidariedade’’, comenta. Marta Oliveira, da Redação, também fez o curso e lembra que, além do primeiro atendimento a vítimas de acidentes, com fraturas ou contusões, o pessoal teve noções a respeito de como atender casos de ataques de animais peçonhentos (cobras, aranhas), e vítimas de queimaduras.
Dia 19, à tarde, o Siate simulou atendimento a uma vítima de acidente traumático. Foi uma demonstração prática, tendo como ‘‘modelo’’ a própria instrutora. Marta destaca que a turma tomou conhecimento do básico, porque logo após a abordagem ao paciente o socorrista deve encaminhar a vítima ao médico.
Sinais vitaisO capítulo 10 do Manual do Atendimento Pré-Hospitalar, utilizado pelo Sistema Integrado de Atendimento às Emergências (Siate) mostra como reconhecer os sinais vitais, como fazer o exame neurológico e a abordagem inicial da vítima traumatizada.
‘‘A importância dos cuidados de emergência na cena do acidente e durante o trnsporte até o hospital está sendo mais e mais reconhecida a cada dia. No atendimento inicial da vítima, dentro e fora do hospital, indicadores das funções vitais do corpo são utilizados para orientar o diagnóstico inicial e acompanhar a evolução do quadro apresentado por ela’’, diz o Manual. Acrescenta que são usados quatro indicadores das funções vitais do corpo.
Esses indicadores são a temperatura, o pulso, a respiração e a pressão sanguínea. O Manual adverte que variações acima ou abaixo dos índices normais podem indicar a presença de doença ou lesão séria. Cada sinal observado fora de seus valores normais deve, obrigatoriamente, ser relatado à equipe médica, de imediato. O manual é extenso e detalhado. Resumimos algumas curiosidades e informações básicas. Antes é bom lembrar que, segundo alerta a instrutora Ana Olympia, torniquete para estancar hemorragia é coisa do passado; não se usa mais.
Temperatura é um dos sinais vitais e pode ser medida de três maneiras: axilar, oral e retal. A axilar, por sua comodidade, é a mais usada. O Manual do Siate ensina que a temperatura corporal ‘‘reflete a diferença entre o calor produzido e o calor perdido pelo corpo’’. Para a maioria dos adultos, o valor normal da temperatura axilar é de 36 a 37 graus Celsius ou graus centígrados. Além de registrar o valor medido, o socorrista deve anotar o horário em que foi feita a medição: 36,6ºC, às 10h45. Infecção, desidratação, medo, ansiedade e o trauma são condições que podem fazer subir a temperatura corporal.
PulsoExplica o manual que o pulso é produzido por uma onda de sangue que passa ao longo de uma artéria quando o coração se contrai. A onda é causada pela força do sangue contra a parede arterial cada vez que o coração bate. Por isso a frequência do pulso é normalmente igual à do coração. O pulso é um sinal vital que expressa a condição do coração e da circulação de uma pessoa. Ferimentos, doença súbita, emoções fortes e atividade física podem causar mudanças na frequência do pulso.
RespiraçãoA respiração proporciona a troca de gases (oxigênio e dióxido de carbono) entre o sangue e o ar nos pulmões, sendo passível de ser examinada externamente.
O Manual do Siate recomenda: Observando a respiração, considere seu caráter (superficial ou profunda, suave ou ruidosa), seu ritmo (regular ou irregular), sua frequência (movimentos respiratórios por minuto - mrpm)). A frequência respiratória normal do adulto é de doze a vinte mrpm (um movimento é contado a cada inspiração e expiração); nas crianças varia com a idade: 20 mrpm nos adolescentes, 30 mrpm nas crianças em idade escolar, 40 mrpm nas crianças menores. Traumas, doenças súbitas, emoções e atividades fortes podem causar drásticas mudanças nas características da respiração das pessoas.
Recomenda, o Manual, que - como a respiração está parcialmente sob controle voluntário - a frequência da respiração seja contada de maneira que a vítma não o perceba; a respiração deve ser observada como se a atenção do observador estivesse voltada para o exame do pulso.

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