Curitiba - A Polícia Civil encontrou ontem na chácara da localidade da Vila Popular, no distrito de Morro Vermelho, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, tochas que seriam usadas para iluminar o lago onde aconteciam as festas e orgias com adolescentes promovidas por comerciantes das redondezas para políticos, empresários e autoridades locais.
A presença das tochas reforça os depoimentos dados por quatro adolescentes que já foram ouvidas pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Civil. Elas contaram que participaram de ''festinhas'' com autoridades de Campo Largo e que eram pagas para dançar e fazer strip-tease ao redor do lago, iluminado pelas tochas.
O delegado designado para o caso, Marcus Michelotto, passou a tarde ouvindo testemunhas e moradores da região. A chácara foi fotografada para garantir que as meninas realmente conheciam o lugar. ''As fotos vão servir para que o juiz balize o conhecimento delas do que acontecia no local'', relatou o delegado. Recentemente, houve a denúncia de que a chácara era alugada para as festas por um homem com características físicas de um alemão.
Esse homem teria ameaçado populares a não darem qualquer tipo de informação à polícia ou à imprensa. A informação não foi confirmada por Michelotto. Ele contou que os proprietários da chácara foram localizados e nada sabiam sobre as orgias. Foi levantado um contrato de locação, que está em nome de um dos suspeitos. A chácara, ontem, já estava limpa, o que dificulta o trabalho da polícia. O delegado está apurando os nomes das pessoas que trabalharam na limpeza do local.
Procurada pela Folha, a presidente do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Paranaense de Pediatria, Luci Pfeiffer, disse esse é apenas um dos muitos casos de orgias e festinhas promovidas por autoridades e que envolve adolescentes. ''Infelizmente esses casos são comuns. Os homens pensam que são mais homens quanto mais nova for sua parceira sexual. No entanto, eles demonstram apenas que não passam de exploradores sexuais, pessoas com sério desvio de conduta e de personalidade'', enfatizou ela.
A pediatra já trabalhou em pesquisas com adolescentes exploradas nas ruas de Curitiba. ''Conhecemos casos graves em que elas são levadas para esse tipo de festinha sem saber o que vai acontecer. As promessas são enormes. As consequências imensas: tanto no campo afetivo e psicológico quanto no sexual'', apontou.

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