Tocantins recebe zoneamento agro-ecológico
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 28 (AE) - O Tocantins recebe na segunda-feira (31) o primeiro zoneamento ecológico-econômico de um estado amazônico. Fazer o macro zoneamento da Amazônia era uma das metas do programa Nossa Natureza, do governo José. Com este instrumento básico para o ordenamento territorial a intenção é evitar a ocupação desordenada e a depredação ambiental, com alto grau de desperdício dos recursos naturais. Na época o problema era grave na Calha Sul do Amazonas e se estendeu por toda a região na última década.
Depois de prometido e adiado por sucessivos presidentes e ministros, o trabalho será entregue ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e ao governador do Tocantins, José Wilson Siqueira Campos. A entrega vai ser durante as comemorações dos 10 anos da Embrapa Monitoramento por Satélite,. encarregada do zoneamento digital.
Com isso o Tocantins tem a chance de propor um desenvolvimento racional para o seu pedaço de Amazônia. O zoneamento indica áreas adequadas para a intensificação de atividades humanas, sobretudo agricultura e pecuária, e recomenda a proteção ambiental com restrições de uso, nos ecossistemas significativos para a manutenção da biodiversidade e onde a fragilidade ecológica desautoriza a presença do homem.
"Dizer que não se pode ter nenhuma atividade econômica na Amazônia, mantendo a floresta totalmente intocada, é tão errado quanto dizer que a floresta deve ser erradicada e toda a região ocupada", argumenta Evaristo Eduardo de Miranda, coordenador do zoneamento na Embrapa. "Existem zonas que suportam atividades econômicas e zonas prioritárias para a preservação; para cada uma delas é preciso oferecer as opções corretas de uso ou especificar as restrições".
330 cartas - Para chegar a esse detalhamento, nos 278.420 quilômetros quadrados do Estado do Tocantins, o zoneamento tem 300 cartas digitais, elaboradas com base nas imagens dos satélites meteorológicos da série NOAA, ambientais, da série Landsat, e cartas de radar (Radam Brasil).
Elas reúnem informações geocodificadas e atualizadas, sobre tipos de solos,suscetibilidade à erosão, declividade, tipos de vegetação nativa, chuvas, clima, temperatura, tipos de culturas plantadas, manchas urbanas e outros usos das terras, áreas protegidas em parques e reservas, hidrografia, localização de estradas etc. Todos estes mapas tiveram seus dados cruzados num Sistema Geográfico de Informações, SGI. O resultado é um zoneamento agro-ecológico dinâmico, que permite consultas e atualizações, conforme as necessidades específicas de planejamento.
Foram dois anos de levantamentos de campo e análise das imagens de satélite. O trabalho custou cerca de US$ 800 mil, financiados pelo Banco Mundial, que pediu o zoneamento antes de liberar empréstimos para a pavimentação de mais de 3 mil km de rodovias."O trabalho feito pela Embrapa não só atendeu aos objetivos relacionados aos impactos ambientais das rodovias como superou em muito as expectativas, produzindo um estudo que hoje não tem similar nem no Primeiro Mundo", afirma o consultor de meio ambiente do Banco Mundial, Vitor Bellia.
O banco vai usar os resultados do zoneamento para financiar programas de desenvolvimento sustentável no Tocantins. Os resultados do zoneamento também serão apresentados a autoridades de outros estados amazônicos, num seminário em Palmas, previsto para junho.


