Campo Mourão - Estrada Boiadeira é o nome popular da BR-487, rodovia federal de 658 quilômetros de extensão que liga Porto Felicidade, no Mato Grosso do Sul, à região dos Campos Gerais, no Paraná. A maior parte da rodovia, 526 quilômetros, está localizada em território paranaense.
Pelo seu traçado, a Boiadeira é considerada uma importante ligação do Mato Grosso do Sul e das regiões Noroeste e Central do Paraná ao extremo Sul do Brasil e ao Porto de Paranaguá. Isso na teoria: na prática, a estrada deixa de ser utilizada porque tem vários trechos sem asfalto.
As obras de pavimentação tiveram início em 1986, mas sofreram interrupções ao longo dos anos (o Tribunal de Contas da União apontou irregularidades em licitações) e ainda estão longe de serem concluídas. Há anos representantes da sociedade civil cobram a pavimentação completa dos 187 quilômetros entre Porto Camargo, divisa com o Mato Grosso do Sul, e Campo Mourão.
A obra foi dividida em cinco lotes pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O lote 1, entre Campo Mourão e Nova Brasília (Distrito de Araruna), tem 30,6 quilômetros e foi finalizado em fevereiro de 2002. Foram necessários mais de 11 anos para que outro lote fosse completado. Em outubro do ano passado, o governo federal inaugurou com estardalhaço os 18,7 quilômetros do lote 3, entre os municípios de Cruzeiro do Oeste e Tuneiras do Oeste. A obra custou R$ 51,7 milhões.
Na mesma ocasião, o governo assinou a ordem de serviço para o início das obras do lote 2, entre Tuneiras do Oeste e Nova Brasília – o trecho de 20 quilômetros deve custar R$ 64 milhões. No momento, está sendo desenvolvido o projeto executivo de engenharia. A previsão de conclusão da obra é para o primeiro semestre de 2016.
Em 29 de janeiro, será feita a licitação para os dois lotes restantes, entre Cruzeiro do Oeste e a divisa com o Mato Grosso do Sul, que somam 117,7 quilômetros. As empresas vencedoras terão prazo de 900 dias para fazer as obras. Ou seja, na mais otimista das previsões (caso não ocorram atrasos e novas interrupções), a ligação Mato Grosso do Sul-Campo Mourão via Boiadeira deve ficar pronta em meados de 2016, 30 anos depois da pavimentação ter começado. O projeto hoje faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
"É uma obra prioritária não só para Tuneiras, mas para toda a região. É uma posição estratégica para quem precisa transportar até o porto", diz Fernando Tavares Ferreira, presidente do Sindicato Rural de Tuneiras do Oeste. "Pela Boiadeira, pegaríamos dois pedágios a menos e o trecho é bem mais curto."
"No papel, essa obra deveria ter terminado há muito tempo", critica José Severino Provasi, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Campo Mourão e Região (Sinditac), entidade que abrange 55 municípios na área. "Quando concluída, vai ser ótimo. Hoje os transportadores da região têm que desviar por Maringá ou Cascavel."
Em agosto de 2012, as federações das indústrias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Fiep, Fiesc e Fiergs) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançaram o projeto Sul Competitivo, um estudo da infraestrutura de transportes nos três Estados da região e da necessidade de investimentos no setor. Entre as obras prioritárias, foram citadas três adequações na BR-487: pavimentação nos trechos Porto Camargo-Campo Mourão e Três Bicos-Ipiranga (veja box) e adequação entre Campo Mourão e Três Bicos.

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