TJ quebra sigilo bancário de vereador
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segunda-feira, 01 de março de 1999
Agência Estado 
O vice-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Amadeu da Cunha Bueno Neto, decretou ontem a quebra de sigilo bancário e fiscal do deputado estadual eleito e vereador Hanna Gharib (PPB-SP). Gharib é um dos acusados de envolvimento no escândalo das administrações regionais de São Paulo. Cunha Bueno argumenta que há nos autos indícios suficientes da ocorrência de ilícito penal.
De acordo com as denúncias que serviram de base para a decretação da quebra de sigilo, funcionários da Administração Regional da Sé, do setor responsável pela fiscalização de ambulantes e camelôs teriam se organizado em bando para o cometimento de crimes contra os comerciantes informais do centro da cidade, exigindo, de forma continuada, vantagens indevidas. No despacho, Cunha Bueno ressalta que, segundo a denúncia, o nascedouro da sociedade criminosa consta ser a indicação da A.R.-Sé.
Cunha Bueno afirma ter havido um verdadeiro loteamento das ruas do centro da Cidade e que camelôs e ambulantes eram extorquidos em quantias variadas. Somente na 25 de março os implicados arrecadavam semanalmente de R$ 10.000,00 a R$ 12.000 00, com o conhecimento dos coordenadores gerais. De acordo com o desembargador, o deputado estadual Hanna Gharib consta ser a pessoa que indicou o administrador daquela A.R., sendo assim quem manda na regional.
A medida do TJ é extensiva à mulher de Gharib, aos seus dois filhos maiores de 21 anos, ao sócio Fouad Georges El Ghorayeb e à empresa dos dois, Ghoga Empreendimentos Imobiliários Ltda.
O delegado Romeu Tuma Jr, que apura denúncias sobre a máfia dos fiscais, ouviu ontem o segurança L.A.S., que há 20 anos guarda barracas de camelôs na região central. Ele afirma que 1995 entregou pessoalmente cerca de R$ 12 mil ao vereador Hanna Garib (PPB) em seu gabinete, na Câmara. O dinheiro seria cobrado de camelôs na região central.
Na época, L.A.S. e um amigo já prestavam segurança para os camelôs do centro. Enquanto L.A.S. cuidava dos bolsões, o amigo era encarregado de segurança na região da Sé. Esse amigo teria sido informado que os camelôs seriam retirados do centro. Como L.A.S. conhecia o vereador Garib, ele se dirigiu ao gabinete para saber se era possível impedir a remoção.
Para que os ambulantes continuassem a trabalhar normalmente, o deputado eleito teria pedido R$ 2 mil semanais. Segundo L.A.S., o esquema durou seis semanas. Na sétima semana, quando foi entregar novamente o dinheiro, o vereador recusou, disse L.A.S. Além das denúncias que estavam surgindo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos camelôs, Garib teria dito que não confiava no amigo de L.A.S. Ele disse que não queria mais se envolver com camelôs, afirmou a testemunha.


