O presidente do Tribunal de Justiça do Pará, José Alberto Maia, prometeu, ontem, a líderes e advogados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra do Pará (MST-PA) agilizar o processo contra o governo do Estado envolvendo o massacre de 19 sem-terra em abril de 1996. No processo, o movimento requer indenização mínima de R$ 350 mil para 18 dos 60 feridos à bala e golpes de facão, por soldados da Polícia Militar, no massacre.
Durante o encontro com uma comissão do MST, Maia anunciou que vai pedir ao juiz responsável pela ação, José Maria Teixeira do Rosário, que dê prioridade ao caso. ‘‘Na próxima semana, provavelmente, já teremos algum despacho do juiz’’, garantiu o presidente do TJ. O advogado do MST, Walmir Brelaz, contou ao desembargador que os 18 trabalhadores que entraram com processo de reparação de danos contra o governo paraense ‘‘sofreram graves sequelas’’ por causa das agressões’’.
Alguns sobreviventes, como Ruben Ita Silva, ainda têm balas alojadas pelo corpo e precisam de acompanhamento médico permanente. A bala que atingiu Ruben Ita pegou o pescoço e foi alojar-se próximo ao cérebro. ‘‘Eles também correm risco de vida porque tentam trabalhar, mesmo doentes, para sobreviver’’, resumiu o advogado.
A assessoria do governo do Estado informou que todas as providências foram tomadas para assistência aos feridos, que receberam tratamento médico. O governo também disse que os familiares dos mortos do conflito já recebem há mais de um ano pensão de três salários mínimos.

mockup