Londrina - O desembargador Luiz Mateus de Lima, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), determinou ontem o retorno imediato ao trabalho de professores e servidores das sete universidades estaduais do Paraná. Trata-se do mesmo magistrado que determinou o retorno dos professores e funcionários das escolas estaduais ao trabalho e o início das aulas na quarta-feira passada. As universidades estaduais têm 70 mil estudantes.
No caso das instituições de Ensino Superior, a multa diária para o caso de descumprimento será de R$ 3 mil para cada um dos 11 sindicatos que representam as categorias. O despacho determina que os grevistas estão proibidos de obstruir o acesso às dependências das universidades ou a qualquer outro órgão público estadual ou de impedir o trabalho de outros servidores públicos.
O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Renato Barbosa afirmou que a greve é um direito fundamental, assim como a sindicalização e a negociação coletiva. Destacou que somente o Ministério Público teria legitimidade para provocar o Judiciário nesse caso, e que a Procuradoria Geral do Estado não possui. Apontou também que qualquer greve não pode ser dissolvida sem uma assembleia. "E se os professores voltarem ao trabalho, a quem eles irão ministrar as aulas, já que os estudantes também estão em greve?", questionou.
O representante da Assuel (sindicato dos funcionários da UEL) Marcelo Seabra afirmou que ainda não recebeu nenhuma notificação e por esse motivo não poderia se pronunciar sobre o assunto.
O membro do comando de greve e da seção sindical dos docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Manuel Moabis afirmou que a primeira negociação tinha acontecido na quinta-feira. Ele estranhou que na sequência o governo tenha entrado com um pedido judicial. "O governo não deu nenhum sinal para que voltássemos a dialogar", apontou Moabis.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, disse que o pagamento do 1/3 de férias será feito em março e que todos os direitos estão garantidos. "O decreto da autonomia universitária já estava em discussão e não havia motivos para entrar em greve por causa disso", afirmou. O governo, acrescentou o secretário, retirou o projeto original da Assembleia Legislativa e deixou claro que está estudando outras opções. "A obrigação judicial não é do governo, mas esperamos que seja respeitada e que voltemos a dialogar", apontou.

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