TJ-PR define regime semiaberto para Carli Filho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de fevereiro de 2019
Viviani Costa <br> Reportagem Local 

Sete anos, quatro meses e 20 dias. Essa foi a pena definida pelos desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná ao ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, condenado pela morte dos jovens Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida em acidente de trânsito ocorrido em Curitiba no ano de 2009.
No Tribunal do Júri, em fevereiro do ano passado, o ex-deputado havia sido condenado a nove anos e quatro meses de prisão em regime fechado. A redução na pena é resultado do julgamento do recurso protocolado pela defesa do ex-deputado. A votação pelos desembargadores teve início em dezembro e foi concluída nesta quinta-feira (8).
Os advogados que auxiliam o Ministério Público e a família de Christiane Yared aguardam a publicação do acórdão nos próximos dias com esclarecimentos sobre o início do cumprimento da pena e o uso de tornozeleira eletrônica. Para o advogado Vicente Bomfim, o objetivo inicial foi alcançado, mesmo após a redução no tempo de condenação do ex-deputado.
"Nosso objetivo sempre foi mostrar que o fato em si não era culposo, mas sim dolo eventual por todas as circunstâncias em que ocorreu. Não foi mero acidente. Independente da pena estabelecida inicialmente, a nossa pretensão era a condenação por dolo eventual", destacou. Segundo ele, com o entendimento, foi criada uma jurisprudência para que os crimes sejam enquadrados como dolo eventual nos casos de acidente de trânsito envolvendo excesso de velocidade e embriaguez ao volante.
No entanto, para Christiane Yared, mãe de uma das vítimas, o resultado é vergonhoso. "No meu entendimento, o que era para virar uma jurisprudência, virou, na realidade, um precedente. Ele vai ficar em casa com uma tornozeleira. Qual é o agente penitenciário que vai ligar para Curitiba para denunciar se um dia ele estiver fora da área ou dos horários delimitados para o cumprimento da pena? O problema nesse país não são as leis, é a Justiça. A lei é boa, é severa, mas a quantidade de brechas são infinitas. Foram dez anos lutando e brigando e o resultado é que 'o crime compensa'. É muito triste ver isso acontecendo", desabafou.
Reeleita como deputada federal, a expectativa de Yared é auxiliar outras famílias de vítimas de acidentes de trânsito. "Vamos lutar para que outros casos não acabem como o meu. Que eu possa fazer a diferença para outras vidas. Meu filho não morreu em vão. Espero ter forças para lutar", concluiu.
Dos três desembargadores que julgaram o recurso na 1ª Câmara Criminal do TJ-PR, apenas um votou pela manutenção da condenação em regime fechado no tempo já determinado pelo Júri Popular. Carli Filho permanece em liberdade. Os advogados de defesa do ex-deputado não foram encontrados pela reportagem.


