Curitiba - O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná indeferiu ontem o pedido de liminar solicitando a libertação do casal de médicos Eldo Ern e Cristina Cerniak. O desembargador Gil Trotta Telles, que proferiu a sentença, argumentou que o crime de dupla cobrança, as tentativas de retirar e alterar documentos do Hospital e Maternidade São José dos Pinhais e as ameaças que uma mãe diz ter sofrido argumentados no pedido de prisão preventiva feito pela delegada de polícia Ana Claudia Machado são motivos suficientes para mantê-los presos até que se faça um avaliação mais aprofundada das provas. O casal de médicos está preso desde segunda-feira no Centro de Triagem, em Curitiba.
O advogado dos médicos, Rafael Justus de Brito, afirmou que vai entrar com todos os recursos cabíveis para rebater a decisão do TJ. ''A prisão neste caso é um recurso extremo. Os fatos não autorizam a prisão. Por enquanto, o desembargador fez um julgamento provisório e superficial. Portanto, nada impede que, ao fazer uma análise mais aprofundada do processo para julgar o pedido de habeas corpus, mude de opinião'', ressaltou.
Os dois médicos estão sendo acusados pelo Ministério Público (MP) de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, de cobrar particular as consultas e partos de pacientes que realizaram os procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, Ern e Cristina estão sendo investigados pelo uso excessivo do medicamento abortivo Cytotec para adiantar partos. O MP contabilizou 578 receitas de Cytotec com a assinatura dos médicos na Farmácia do Hospital São José, num prazo de quase três anos. O uso desse medicamento não foi registrado nos prontuários médicos das pacientes e nem elas sabiam que estavam sendo medicadas. Segundo o MP, essa era uma forma de os nascimentos acontecerem nos plantões dos dois médicos, o que era lucrativo para eles.
Ontem, foi registrada a primeira manifestação de apoio aos médicos. A mãe do primeiro bebê de proveta do Brasil, que teve sua filha pelas mãos de Ern, Ilza Maria Caldeira, diz que o médico sempre foi muito popular em São José. ''Nunca tive problemas com ele. Cerca de 90% das famílias de São José que hoje têm filhos com 18, 19 anos tiveram seus bebês pelas mãos dele'', afirma. Ilza, que fez a inseminação artificial em São Paulo, deveria ter ido para lá para ter seu bebê, porém desistiu confiando que teria um bom atendimento por Ern o que, segundo ela, realmente aconteceu.

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