TJ mantém juiz no caso Eldorado dos Carajás
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domingo, 26 de março de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 27 (AE) - O Tribunal de Justiça do Pará decidiu hoje manter, por oito votos a zero, o juiz Ronaldo Valle na presidência do júri dos 150 policiais militares acusados de matar 19 trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado. O julgamento está suspenso desde sua primeira sessão, em agosto do ano passado, depois que o júri absolveu, por falta de provas, o coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira, e o capitão Raimundo Lameira, comandantes da operação militar.
O Ministério Público afirma que o juiz teria agido com parcialidade naquela sessão, orientando a defesa dos oficiais da Polícia Militar e permitindo que um dos jurados, Silvio Queiroz Mendonça, conduzisse o julgamento. Para os desembargadores do TJ
o juiz não agiu de má-fé. A promotoria pediu a anulação do julgamento em que os três oficiais foram absolvidos.
Durante a sessão de hoje das Câmaras Criminais Reunidas alguns desembargadores elogiaram o desempenho de Valle no julgamento. "Eu continuo com a mesma opinião. Para mim, ele ajudou a absolver os acusados", disse o promotor Marco Aurélio Oliveira. Ele terá 15 dias para recorrer contra a decisão do Tribunal.
O juiz não foi encontrado para comentar a decisão dos desembargadores. Há alguns dias, segundo uma fonte do TJ, Valle teria confessado ao presidente do Tribunal, José Alberto Maia, sua intenção de não presidir o julgamento.Se isso for confirmado
o TJ deverá designar outro juiz . Mas isso só ocorrerá depois que for julgado o recurso pedindo a anulação do julgamento dos três oficiais.
Na sala onde aconteceu a sessão que manteve Valle no caso estava um filho do coronel Pantoja, que evitou falar com os jornalistas. Também estava na sala o tenente Jorge Nazaré dos Santos, o próximo militar a ser julgado quando o júri voltar a se reunir.


