Porto Velho, 20 (AE) - Por 10 votos contra um, o Tribunal de Justiça de Rondônia manteve a decisão do governador José Bianco (PFL), que demitiu 10 mil funcionários públicos no final de janeiro deste ano. Após o anúncio do resulrado, servidores públicos que estavam acampados em frente ao prédio se confrontaram com a polícia. Os manifestantes, reunidos em frente do Tribunal de Justiça durante toda a manhã, aguardavam o julgamento dos mandados de segurança impetrados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Educação (Sintero) e o da Saúde (Sindsaúde). Aos gritos de "Queremos Justiça" e "O povo tá na rua, Bianco a culpa é sua", os manifestantes esperavam uma decisão favorável a eles (a maioria está acampada há 48 dias na praça que fica em frente ao Palácio Presidente Vargas).
A votação foi acompanhada pelos deputados rondonienses Eurípedes Miranda, Daniel Pereira, Mauro Nazif e Everton Leoni, e os presidentes do Sintero, José Wildes Brito, e do Sindsaúde, Anildo Prado, e diversos vereadores da capital. Também estiveram no TJ, o senador carioca Saturnino Braga e o deputado de São Paulo, Arnaldo Chinaglia. O governador garante que está correto em sua decisão, "que está fundamentada juridicamente".
"Esse julgamento é contrário aos servidores públicos de Rondônia, demonstrando que o TJ julgou politicamente o nosso processo", disse Brito. "Não podemos aceitar que 30% dos servidores públicos de Rondônia sejam demitidos de forma sumária
sem direito a defesa", destacou Chinaglia, alertando que o confronto entre manifestantes e policiais não iria resolver em nada a situação e que "agora é preciso discutir a importância de recorrer a instância superior".
Ao ser anunciado o resultado do TJ, muitos servidores choraram. Em seguida, alguns deles começaram a jogar moedas nos policiais que impediam o acesso ao TJ, enquanto que outros, mais revoltados, jogavam pedras nas janelas do prédio da Justiça.
Ao meio-dia, os manifestantes seguiram para o palácio do governo, onde foram barrados na entrada pelo enorme aparato policial que circundava a área. Alguns dos PMs agrediram um servidor com cassetetes. Ele deixou o local sangrando. Ao lado do palácio, os policiais tentavam levar preso, numa toyota, um outro servidor. Os manifestantes impediram a saída dos policiais e retiraram o homem de dentro do veículo.
Os manifestantes começaram a jogar pedras nas janelas da sede do governo. O confronto ficou ainda mais acirrado depois que os policiais arrastaram um dos demitidos para dentro do palácio. O conflito só terminou após a interferência dos parlamentares que estão apoiando o movimento. Em discurso em frente a entrada do palácio, eles destacaram a importância do governo reverter a decisão em relação aos demitidos.

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