TJ julga recurso de sequestradores
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Agência Estado 
Os dez desembargadores que integram o 2º Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça de São Paulo julgam hoje pedido de revisão criminal em favor dos sequestradores do empresário Abílio Diniz. O empresário ficou uma semana em poder dos sequestradores, até ser resgatado pela polícia, de um cativeiro, em dezembro de 1989. Os sequestradores foram presos em flagrante.
O recurso impetrado do TJ visa a redução das penas entre 26 e 28 anos de prisão impostas aos cinco chilenos, dois argentinos, dois canadenses e um brasileiro. Os dois canadenses foram transferidos sexta-feira para seus país devido a um tratado firmado entre o Brasil e o Canadá.
Em primeira instância, os dez sequestradores haviam sido condenados, na 8ª Vara Criminal, a penas variáveis de oito a 15 anos, por crime de sequestro. As penas foram aumentadas pela 1ª Câmara Criminal do TJ, que acolheu recurso da acusação e reconheceu também a autoria do crime de formação de quadrilha pelo qual haviam sido absolvidos em primeira instância. A defesa quer o restabelecimento das penas mais brandas.
Greve A chilena Maria Emília Marchi Badilla, uma das sequestradoras, foi transferida ontem da Penitenciária Feminina do Butantã para o Hospital do Mandaqui, em São Paulo, por causa do agravamento de seu estado de saúde. Os médicos suspeitam que ela esteja com infecção urinária ou inflamação nos vasos dos rins. Maria Emília entrou ontem no oitavo dia de greve de fome.
O quadro clínico dela é o mais grave entre os oito presos em greve, disse o diretor médico da Secretaria da Administração Penitenciária, Paulo César Sampaio. Ele examinou-a e decidiu removê-la. Às 17h30, Maria Emília foi posta em uma ambulância e levada sob escolta da PM. Ela já perdeu 4 quilos.
Entre os sete homens presos no Centro de Observação Criminológica (COC), o que se encontra em pior estado é o chileno Sérgio Martin Olivares Urtubia, que emagreceu mais de 8 quilos desde o início da greve. Ontem, os sequestradores foram examinados pelo médico Ricardo Cypriani. Todos estão perdendo, em média, um quilo por dia.
Semi-aberto A Vara das Execuções Criminais de São Paulo deve decidir ainda nesta semana se concede ou não o direito de cumprir a pena em regime semi-aberto ao brasileiro Raimundo Rosélio Costa Freire. Caso seja favorável, ele poderá sair durante o dia da prisão para trabalhar e retornar à noite para a cadeia.
Único brasileiro do grupo, ele não teria as limitações para obter emprego como os demais sequestradores.


