Rio, 01 (AE) - Os 25 desembargadores que formam o Colegiado do àrgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio devem acatar o pedido do procurador do Ministério Público, Fernando Chaves da Costa, e votar pela absolvição de 23 policiais civis, entre eles o ex-deputado estadual e coronel reformado da Polícia Militar Emir Laranjeiras. O procurador pediu a condenação apenas para cinco bicheiros, o juiz aposentado Nicolau Cassiano Neto, de um advogado e dois policiais civis. O resultado do julgamento está previsto para terminar no final da noite.
Entre os bicheiros estão Antônio Petrus Kalil, o "Turcão"
Aílton Guimarães Jorge, o "Capitão Guimarães", Humberto Chucri David, Weber Stabile e César Andrade de Souto, sobrinho do bicheiro Castor de Andrade, que já morreu. Se forem condenados, eles podem pegar de um até oito anos de prisão por crime de corrupção ativa (ato de oferecer ou prometer vantagem indevida).
Na denúncia oferecida pelo Ministério Público, os cinco bicheiros são acusados de oferecer propinas a autoridades policiais - delegados, detetives e escrivãos. Eles foram condenados e presos no primeiro julgamento do escândalo do jogo de bicho em setembro do ano passado, mas foram libertados após pagamento de fiança.
O juiz aposentado Nicolau Cassiano Neto, o advogado Adilson Martins da Cruz e os policiais civis Paulo César de Oliveira Santos e Alan Cardeque Manoel Villela são acusados de crime de corrupção passiva (ato de solicitar ou receber vantagem indevida). Eles são acusados de terem aceito dinheiro da cúpula da contravenção, pois os seus nomes aparecem nos livros de contabilidade apreendidos pela polícia na fortaleza de Castor de Andrade, em 1994. A pena prevista para esse tipo de crime também é de um a oito anos de reclusão.
Para o advogado do juiz, Ekel de Souza, as provas do Ministério Público não suficientes para condenar o seu cliente. "A acusação é frágil, pois baseia-se em anotações de prenomes"
disse Souza. Ele afirmou que se Neto for condenado irá recorrer da decisão. Após o escândalo, o juiz solicitou aposentadoria, aceita pelo Tribunal de Justiça do Rio. O policial Santos também aposentou-se. Villela desempenha funções burocráticas numa das delegacias da Polícia Civil. Já Martins da Cruz trabalha em seu escritório de advocacia.
O pedido de absolvição do Ministério Público para os 23 policiais baseia-se em provas insuficientes para condená-los. Deste grupo, apenas o Walter Cordeiro foi demitido da função e quatro foram aposentados. Eles são os detetives José Roberto Ferraz, Máximo Rosa de Oliveira, Nelson Bezerra de Carvalho Filho e Juarez Barbosa. O ex-deputado Emil Laranjeira foi reformado. Os demais policiais civis cumprem atividades burocráticas em delegacias.
A sessão começou às 13h de hoje com a leitura das 15 preliminares, que são testes da defesa apara tentar anular o julgamento. Elas foram rejeitados pelos desembargadores. Às 18h, começou a votação que terá o resultado conhecido até o final da noite.

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