A corregedoria-geral do Tribunal de Justiça do Pará recebeu ontem pedido de providências de quatro órgãos ligados à questão agrária para cancelar em todos os cartórios do Estado o registro de propriedades em nome de Carlos Medeiros, apontado como um dos maiores grileiros de terras do País. São 9 milhões de hectares- área maior do que os estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe juntos- grilados dentro do território paraense por uma quadrilha que vem agindo desde 1975.
A desembargadora Osmarina Sampaio Nery, que substitui o corregedor Benedito Alvarenga, doente, prometeu acelerar a tramitação do pedido. Ela recebeu em seu gabinete o presidente substituto do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Eduardo Freire, procuradores do Ministério Público Federal e Estadual e do Instituto de Terras do Pará (Iterpa).
Segundo Osmarina Nery, a agilidade do trabalho dependerá dos cartórios onde estariam registradas as propriedades supostamente pertencentes a Medeiros. O TJ vai mandar ofício a todos os cartórios para que enviem com urgência as informações.
Em dezembro do ano passado, perícia grafotécnica feita em Brasília por solicitação da Polícia Federal concluiu que as assinaturas que aparecem em vários documentos como sendo de Medeiros foram falsificadas por seus procuradores Flávio Augusto Titan Viegas e Marinho Gomes de Figueiredo, este falecido em novembro do ano passado.
Medeiros teria 1.200 títulos de terra em 83 municípios paraenses. Uma das áreas estaria localizada na ‘‘bacia hidrográfica Tocantins-Xingu’’. Só que, no mapa do Pará, não existe tal acidente geográfico. ‘‘As bacias do Rio Tocantins e do Rio Xingu não se comunicam’’, observa o procurador da República Felício Pontes Júnior. Mas, ainda assim, a posse foi reconhecida pelo Incra.

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