TJ do Pará procura juiz para presidir júri de Eldorado
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a ae 
Belém, 13 (AE) - O presidente do Tribunal de Justiça do Pará, desembargador José Alberto Soares Maia, disse hoje que ficaria "muito feliz" se um juiz se apresentasse como voluntário para presidir as 27 sessões de julgamento do processo de Eldorado dos Carajás, no qual 150 policiais militares são acusados de matar 19 trabalhadores sem-terra no sul do Estado. No início da tarde, havia a informação de que três juízes de comarcas do interior, José Orlando Arrifano e João Batista Lopes Nascimento, do município de Abaetetuba, e Mairton Marques Carneiro, de Vigia, estariam dispostos a comandar o julgamento.
De acordo com o presidente do TJ, dos 18 juízes criminais de Belém, só três não foram a seu gabinete recusar antecipadamente qualquer indicação para o júri. "Quero conversar com esses três juízes - Raimundo Holanda Reis, José Maria Teixeira do Rosário e Eva do Amaral - para saber qual deles aceitaria a missão. Pretendo esgotar todas as possibilidades até encontrar alguém", disse Maia.
O desembargador OtávioMaciel, que antes de ser promovido foi quem concluiu o processo de oito mil páginas do caso Eldorado, afirma que o escolhido pelo TJ deve ter quatro atributos essenciais para conduzir o julgamento até o final: Preparo jurídico, preparo psicológico ("para suportar pressões do MST, de organismos nacionais e internacionais e da mídia"), preparo físico, para uma "jornada extremamente desgastante de sessões", além de total isenção de ânimo na sua posição de magistrado. "O escolhido não pode ter nenhum preconceito, seja em relação à Polícia Militar ou ao MST."
Para o ex-secretário de Justiça do Pará e advogado Clodomir Araújo, as pressões serão muito fortes sobre o responsável pelo julgamento. "O Brasil nunca experimentou um julgamento dessa natureza em número de réus em toda a sua história jurídica. Tanto em Belém como em qualquer outra capital do país essas pressões fatalmente existiriam. É preciso, porém, serenidade para conduzir o caso. E no Pará há gente competente para isso."


