TJ define investigação de orgias
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terça-feira, 04 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O desembargador Carlos Hoffmann foi designado ontem novo presidente do inquérito que investiga o suposto envolvimento de autoridades políticas, empresários, policiais civis e um magistrado em orgias com adolescentes em uma chácara do distrito do Morro Vermelho, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Hoffmann foi escolhido depois de dois sorteios. O primeiro indicou o desembargador Octávio Valeixo, que está em licença médica. O segundo apontou o desembargador Hirosê Zeni, que se declarou impedido. A partir de agora, o inquérito corre em segredo de Justiça. O prazo para a conclusão das atividades investigatórias é de 30 dias.
No fim de semana, o juiz da Vara da Infância e da Juventude de Campo Largo, André Luiz Taques de Macedo, que teve o nome citado por testemunhas ouvidas pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Civil, apresentou um pedido de afastamento das funções por um período de 30 dias, para não atrapalhar as investigações. Através de seu advogado, Macedo admitiu que esteve em alguns eventos sociais na chácara onde aconteciam as ''festinhas''. Ele é amigo de um dos empresários da região acusado de organizar as orgias com as adolescentes. No entanto, o juiz assegurou não ter visto qualquer situação suspeita de exploração sexual ou comercial de adolescentes nos eventos que frequentou.
A remessa dos autos para o Tribunal de Justiça (TJ) foi uma exigência legal. O artigo 33, paragráfo único da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, diz que ''se houver indício de prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao tribunal ou órgão especial competente para julgamento, a fim de que prossiga na investigação''. No caso, o TJ. Com isso, o juiz e todos os demais suspeitos de envolvimento serão investigados pelo próprio TJ que poderá pedir auxílio ao MP ou à Polícia Civil.
Ontem, o vereador Joarez Boturi de Oliveira (PSDB) criticou o fato de o TJ ter solicitado os originais do inquérito policial sobre o caso. ''O TJ nos atou as mãos. Vamos trabalhar com algumas limitações'', declarou ele. Oliveira é um dos três vereadores designados para as investigações na CPI instalada na semana passada na Câmara de Campo Largo. Fazem parte ainda da CPI os vereadores Lourival Antonio Netzel (PSL) e Eduardo Luiz Andrade (PSB). Hoje os vereadores escolhem o relator e o presidente da CPI.
Os encontros entre autoridades e adolescentes eram promovidos todas as quintas-feiras, por comerciantes. As meninas faziam strip-tease, dançavam e praticavam sexo em público em troca de dinheiro e comida.


