Rio - As remoções em favelas anunciadas pela prefeitura do Rio poderão ocorrer até mesmo sem a apresentação de laudos técnicos sobre as áreas de risco, regra prevista na Lei Orgânica do Município, defendeu ontem o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, Luiz Zveiter. Em entrevista durante visita do prefeito Eduardo Paes (PMDB) ao Fórum, Zveiter disse que é preciso ''acabar com a visão distorcida de que o melhor é que a pessoa viva pendurada num morro com a possibilidade de perder a vida porque está próximo do trabalho''.
O presidente do TJ chancelou o plano de remoções proposto pelo prefeito após a tragédia da semana passada. Ele disse que os juízes estarão ''sensíveis'' ao tema no caso de eventuais questionamentos e prometeu dar o ''suporte necessário'' para que as remoções sejam feitas com ''critério e Justiça''.
''Se há necessidade de demolição e a gente pode superar algum laudo, verificar visualmente, através de um perito, que há possibilidade de cair, vamos fazer. Não vamos nos ater à Lei Orgânica, a isso ao aquilo. O tecnicismo às vezes contribui para o caos e para a catástrofe'', afirmou Zveiter.
Segundo ele, o poder público ''está começando a assumir o seu papel, que já devia ter assumido há muito tempo''. O objetivo, disse Zveiter, é ''dar uma vida mais digna'' a essas pessoas. O presidente do TJ acrescentou que o Judiciário estará ''atento a aventureiros que podem tentar obter vantagem'' durante o processo de cadastramento dos moradores.
Segundo ele, o exame será ''isento e sempre tendo em mente a preservação da vida''. ''Não é só o laudo. Qualquer outro elemento que possa servir para o juiz deferir, ele vai fazer.''
Ontem, mais dois corpos foram encontrados em Niterói. Com isso, subiu para 249 o número de mortes no Estado em decorrência das chuvas que atingem a região desde a semana passada. Niterói, na região metropolitana, já somam 164 óbitos.
Além de Niterói, outras seis cidades também registram mortes devido aos temporais. São elas: Rio de Janeiro (65), São Gonçalo (16), Petrópolis (1), Paracambi (1), Magé (1) e Nilópolis (1). O Estado registra ainda 161 pessoas feridas em decorrência das chuvas.

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