TJ de MT diz que juiz desviou R$ 584 mil
Correição foi feita após denúncias de que juiz assassinado estaria desviando dinheiro referente a processos de inventário e separação
Arquivo FolhaContra-ataqueLeopoldino Amaral está sendo acusado de desviar dinheiro de depósitos bancários judiciais
Nelson Francisco
De Cuiabá
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso divulgou ontem que o juiz Leopoldino Marques do Amaral desviou R$ 584 mil de contas judiciais da 2ª Vara de Família e Sucessões de Cuiabá. Segundo a equipe composta por quatro juízes que realizaram o trabalho de correição ordinária em apenas 15 processos, foi constado o desfalque que pode chegar a R$ 1 milhão.
A Corregedoria Geral de Justiça alega que determinou a correição mediante denúncias de que o juiz estaria desviando dinheiro de depósitos bancários judiciais, referentes a processos de inventário e de dissolução de sociedade conjugal.
Segundo o juiz Manoel Ornellas, diretor do Fórum Cível de Cuiabá, designado pelo Conselho da Magistratura do TJ/MT para coordenar os trabalhos de devassa, tramitam na 2ª Vara de Família 2.461 processos. A correição foi realizada naqueles em que constam depósitos judiciais.
Cerca de 40 pessoas, a maioria menores de idade, teriam sido lesadas. Para promover saques em depósitos judiciais, segundo o TJ, o juiz assinava alvarás de autorização, dando autonomia à ex-funcionária Márcia Campos para realizar a transação. Márcia é irmã de Benedito Lemos, autor das denúncias contra o juiz. Ele está sendo procurado pela Polícia Federal. Em uma fita cassete entregue à PF pela viúva do juiz, Rosemar Monteiro, Benedito diz que foi obrigado a depor no Ministério Público Federal contra o juiz porque estava sendo ameaçado de morte.
Além dos R$ 584 mil, outros 30 processos suspeitos aguardam documentos de agências bancárias, que estão sendo checados. As vítimas poderão acionar o Estado para reaver seus benefícios. Exonerada do cargo, Márcia disse que realizava as operações a pedido do juiz Amaral, a quem garante ter entregue todo o dinheiro. Ela deve responder por crime de peculato. Procurada pelo Estado, a família do juiz prefere não comentar o caso. Eles querem desmoralizar o meu marido depois de morto, limitou-se a dizer Rosemar Monteiro.





