Curitiba - As investigações que apuram a realização de orgias com meninas em uma chácara no distrito do Morro Vermelho, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, vão se concentrar, a partir de agora, no Poder Judiciário do Paraná. O Tribunal de Justiça (TJ) recebeu ontem os inquéritos da Polícia Civil e do Ministério Público (MP) que apuravam o envolvimento de empresários, autoridades, políticos, policiais civis e de um magistrado nas ''festinhas''.
A remessa dos autos foi uma exigência legal. De acordo com o MP, durante as investigações se concluiu que havia indícios da participação de um magistrado, cujo nome ainda não foi divulgado oficialmente. O próprio desembargador Oto Sponholz, presidente do TJ, já havia sinalizado durante a semana a intenção de concentrar as investigações. Sponholz chegou a solicitar cópia dos autos. O artigo 33, paragráfo único da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, diz que ''se houver indício de prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao tribunal ou órgão especial competente para julgamento, a fim de que prossiga na investigação''.
Os outros envolvidos também passarão a ser investigados pelo TJ por estarem ligados aos mesmos fatos. O tribunal poderá decretar a prisão preventiva dos envolvidos, tanto pelo crime praticado em tese, como por possíveis ameaças a testemunhas e perturbação dos trabalhos de investigação. O próprio MP relatou que algumas meninas foram procuradas por envolvidos nas orgias e foram intimidadas por eles para que não revelassem nada do que sabiam a qualquer autoridade policial.
O TJ informou ontem que os autos foram remetidos imediatamente para a Corregedoria do Poder Judiciário. Até segunda-feira, será designado um desembargador para presidir o inquérito, que irá transcorrer em segredo de Justiça. O prazo para a conclusão dos trabalhos é de 30 dias. Cabe ao desembargador decidir se precisará de força policial para auxiliar nos trabalhos investigativos. ''Se formos convocados, estaremos à disposição'', afirmou o delegado Marcus Michelotto, que estava a frente do inquérito policial. O MP pode ser acionado novamente para auxiliar nas investigações.
Ao todo já foram ouvidas 18 pessoas, entre adolescentes e testemunhas. Alguns nomes incompletos já foram divulgados. As festinhas eram organizadas, conforme o que se apurou até o momento, por comerciantes da região. As meninas dançavam à beira de um lago, iluminado por tochas, em troca de dinheiro e comida. Algumas alegam ter mantido relações sexuais em público.

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