O Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio começa a julgar nesta sexta-feira a máfia acusada de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que provocou um rombo de pelo menos R$ 180 milhões nos cofres da Previdência no período de 1988 a 1990. Entre os 20 acusados estão o juiz aposentado Pedro Diniz Pereira, dois procuradores do INSS, um contador judicial, sete advogados e nove médicos-peritos. É a primeira vez que a Justiça julga médicos envolvidos em fraudes contra o INSS.
Todos respondem por formação de quadrilha e peculato. Acusada de integrar a mesma quadrilha, a advogada Jorgina Maria de Freitas Fernandes fazia parte desse processo, mas alegou prerrogativas internacionais e será julgada isoladamente em 1999. Apenas Jorgina é acusada de desviar cerca de R$ 112 milhões da Previdência. Condenada a 14 anos de prisão em 1992, Jorgina fugiu e foi presa na Costa Rica, no dia 3 de novembro de 1997. Extraditada no dia 14 de janeiro de 1998, ela está presa na Companhia Especial de Trânsito da Polícia Militar, no centro da cidade.
Mesmo sem Jorgina, o julgamento dos 20 réus se estenderá no mínimo até a segunda-feira. Segundo o INSS, os advogados também responderão por crime de apropriação indébita e os médicos por falsa perícia. Segundo o INSS, todos os bens dos réus já foram bloqueados.
As fraudes envolveram a apresentação de falsas perícias médicas e o superfaturamente de cálculos em ações de acidentes de trabalho. No período em que as fraudes ocorreram, o juiz Pedro Diniz Pereira era o titular da 5ª Vara Cível de Nova Iguaçu, na Baixada Flumunense. Entre dezenas de documentos e informações, consta nos autos do processo que o juiz acusado transferia serviços do cartório para o escritório do advogado Wilson Luiz dos Santos - outro réu - com o objetivo de facilitar as fraudes.

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