TJ anula julgamento do caso Evandro
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná cancelou ontem o júri do caso Evandro realizado em 1998 que havia absolvido Beatriz e Celina Abagge pela morte do menino. Pela decisão unânime da 2 Câmara Criminal, as duas terão que passar por novo julgamento. Evandro Ramos Caetano, de 6 anos, foi morto em abril de 1992, em Guaratuba, Litoral do Estado.
O Ministério Público (MP) Estadual acusou Beatriz Corrêa Abagge, 64 anos, e a filha Beatriz, 39, de serem as mandantes da morte de Evandro em um ritual de magia negra. Levadas a julgamento no fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, as duas foram inocentadas. O julgamento foi um dos mais longos da história do Paraná: durou 34 dias. Os jurados não reconheceram o cadáver encontrado na época do crime como sendo o de Evandro.
O MP recorreu e o TJ atendeu. O juiz relator José Maurício Pinto de Almeida concluiu que a sentença do júri é contrária às provas dos autos, já que laudos de exames odontológicos e de DNA comprovam a identidade do cadáver. A decisão de ontem não autoriza a prisão das envolvidas e também não há prazo para o novo julgamento.
A reportagem deixou recado para o advogado de Celina e Beatriz, Ronaldo Botelho, mas ele não retornou.
Evandro desapareceu em Guaratuba em 6 de abril de 1992, quando ia para a escola. O corpo dele foi encontrado cinco dias depois em um matagal, com cortes na cabeça, tórax e abdômen, os dedos e o coração arrancados e a cabeça raspada. A causa da morte foi asfixia e estrangulamento. Em 1º de julho de 1992, a polícia prendeu sete pessoas acusadas de envolvimento na morte do garoto, entre elas,a esposa e a filha do então prefeito de Guaratuba, Aldo Abagge, já falecido.
O pai-de-santo Oswaldo Marcineiro também foi preso e, segundo a polícia, confessou ter matado o menino a mando de Celina e Beatriz. Na época, a polícia divulgou uma fita em que Beatriz e Celina confessam o crime. Depois elas alegaram que foram torturadas para gravar o vídeo. Elas ficaram presas por quase quatro anos, quando conseguiram prisão domiciliar por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).


