Tizio faz a alegria dos moradores de Santa Felicidade
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sexta-feira, 02 de abril de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Ele é pequeno e de pêlo bem escuro com manchas brancas na cara. Essa é a descrição que os moradores de uma região do bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, fazem de seu novo vizinho: um macaco sagui apelidado de Tizio. O novo habitante apareceu na mata que circunda as casas há cerca de seis meses e já conquistou a todos, que o alimentam e já se tornaram seus defensores. Tirá-lo de lá está fora de cogitação. ''Não, não! Por acaso ele vai ficar melhor num zoológico?'' ou ''Para quê? Ele está bem aqui. É só fazer uma casinha para ele aguentar o inverno'', são alguns comentários que se ouve sobre a possibilidade.
A aposentada Ana Jakubiak conta que descobriu o novo vizinho quando ouviu ele assobiar sem parar pedindo comida. ''Sempre que ele está com fome vem gritar aqui na frente'', diz. Agora ela alimenta o animal pelo menos cinco vezes ao dia com bananas fatiadas. Ela diz que nunca ninguém conseguiu sequer encostar nele porque quando chega perto se assusta com o latido dos cachorros. Ana conta que, quando o macaco apareceu na região, estava com o rabo machucado. Sarou, se acostumou mal com seus ''prestativos'' vizinhos e nunca mais foi embora.
O sobrinho de Ana, Paulo Jakubiak, diz que Tizio só incomoda os passarinhos. ''Acho que ele deve mecher nos ninhos de vez em quando porque as vezes os passarinhos ficam loucos perseguindo ele'', conta. Jakubiak lembra que um grupo quis entrar na mata para tentar caçar o macaco, mas foram impedidos. ''Não deixamos. E se alguém tentar vamos impedir de volta. Ele está bem aqui.''
Segundo o aposentado Waldomiro Wladik, Tizio tem mais dois companheiros. Ele garante que já viu e alimenta três macacos. ''São dois pretos e um meio vermelhinho'', descreve.
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) diz que não recebeu solicitação para resgatar o sagui. Mesmo assim, o chefe substituto do departamento de fiscalização do órgão, João Antonio Oliveira, informa que no momento não há equipe para resgatá-lo. O Ibama de Curitiba recebe, segundo ele, pelo menos quatro macacos saguis por mês de pessoas que compraram e não querem mais cuidar. ''As pessoas trazem os bichos e acabam se decepcionando porque é difícil de cuidar e ele nunca se domestica e soltam ou trazem para cá'', conta.


