Tive medo de não voltar viva
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A primeira semana do mês de agosto marcou a vida da professora Vera Eunice Lemes dos Santos, 48 anos, de Londrina. Ela teve gripe A (H1N1) e muito medo de não voltar viva para casa. Já são 179 casos confirmados na cidade, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Os primeiros sintomas começaram no domingo dia 2 - era um mal estar, uma pressão na cabeça, mas não tinha febre. No dia seguinte, no entanto, amanheceu com dor na garganta e nas costas, tossindo e com febre.
Vera Eunice conta que já imaginava que podia estar com a gripe A, mas esperava que também pudesse ser uma gripe comum. Chegou às 11 horas no hospital e durante as duas horas que esperou para ser atendida piorou sensivelmente. Eu não conseguia ficar mais sentada porque tudo doía, mas, se eu me deitasse, ficava com falta de ar. Eu tremia e tinha calafrios. Fiquei com medo quando vi que meu estado estava piorando e chorava com medo de não voltar viva para casa, lembra.
Com uma febre de 38,9 graus, ela foi transferida para uma área isolada de atendimento, onde passou por exames e começou a receber medicação. Como seu caso não era considerado grave, ela ficou no hospital até por volta das 20 horas e teve alta para o atendimento domiciliar. O pessoal do posto de saúde me ligava todos os dias e um dia vieram até minha casa, conta.
Nos primeiros quatro dias da gripe, ela diz que sofreu principalmente com as dores e a falta de ar. É muita dor e um mal estar horrível. Também tive vômito e diarréia, diz. Depois começou a melhorar, para alívio dos três filhos e cinco netos. Todos ficaram bem ansiosos e apreensivos, lembra.
O resultado saiu 15 dias depois que colheu material no hospital. Quando me falaram que foi positivo, tive uma crise de choro. Mas, foi mais de alegria do que de tristeza, por passar o que eu passei e ver que tive mais uma chance de vida, afirma.
Foram dez dias sem sair de casa, e até há pouco tempo usando máscara para ir ao médico ou ao supermercado. Ela conta que sofreu chacota por estar com máscara, por pessoas que ainda não sabem a gravidade do problema, e preconceito, com pessoas se afastando de mim, mesmo depois que não havia mais risco de transmissão. É importante isso, mostrar o outro lado, de quem teve gripe, se cuidou e sarou, afirma.


