Títulos da dívida mantêm queda, pressionados pela Argentina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Cláudio Gradilone 
São Paulo, 20 (AE) - O mercado de títulos da dívida manteve hoje a trajetória de queda da véspera. O volume de negócios permaneceu, como nos últimos dias, fraco e concentrado nos investidores de maior porte, como os grandes bancos de investimento norteamericanos.
Os títulos da dívida da América Latina caíram influenciados pela queda dos papéis argentinos. Os FRB, títulos da dívida argentinos mais negociados, fecharam ontem em baixa de 1,17% a 84,250 centavos de dólar, o menor valor desde o dia 10 de março. No mês, esses papéis já amargam uma queda de 5,60%. Os C-Bonds, principais títulos da dívida brasileiros, acompanharam a trajetória dos papéis argentinos e fecharam hoje a 64,625 centavos de dólar, queda de 0,96%. No mês os C-Bonds já recuaram 7,34%.
O mercado dos títulos da dívida externa não é hoje um indicador 100% confiável do humor dos investidores por causa do reduzido volume e da excessiva concentração de negócios com poucos investidores, o que torna os preços mais voláteis. Porém, a contínua trajetória de queda dos bônus Brady indica que os títulos de países emergentes como um todo já não são os preferidos dos investidores.
A principal razão para isso, explicou um experiente profissional desse mercado, é a possibilidade de alta nos juros dos EUA. As perspectivas de aumento da inflação e de aperto da política monetária norte-americana pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norteamericano, torna mais atraentes os papéis dos EUA.
Segundo esse profissional, em momentos de dúvida e juros em alta, os investidores preferem proteger-se em ativos mais estáveis como os títulos do Tesouro dos EUA.


