Osseointegração nunca fez parte do vocabulário de Mariza Batistão Ribeiro, de Londrina. Mas quando um tumor, aos sete anos, a fez perder um olho, foi com a técnica inventada pelo pesquisador suíço Per-Ingvar Branemark que recuperou seu rosto. E a auto-estima.
A osseointegração é utilizada na reconstrução facial, ortopédica, auditiva e oral de pessoas mutiladas ou de pacientes com doenças degenerativas como o câncer. Tudo isso através do titânio, material biocompatível com o osso humano. No 1º Encontro Científico da Sociedade Paranaense de Osseointegração, que acontece em Londrina nos próximos dias 21 e 22, profissionais vão discutir avanços da técnica.
O evento vai contar ainda com a presença do próprio Branemark, e outros pesquisadores, como o professor Carlos Eduardo Francischone, de Bauru, e o professor Laércio Vasconcelos, de São Paulo. A expectativa, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Osseointegração, Marcos Kuabara, é de 300 participantes, entre profissionais e estudantes da área da saúde.
A técnica, segundo Kuabara, foi descoberta por acaso, nos anos 50. Branemark realizava pesquisas em animais sobre microcirculação dentro do osso. Para isso utilizava uma mini-câmera de titânio. E percebeu que após um tempo o metal ''grudava'' no osso. ''Aí, ele começou a estudar humanos, e a utilização do titânio para recuperar o osso'', explica. Pesquisas apontaram que o implante de titânio, obedecidos critérios de imobilidade e carga durante o período de reparação, acabava sendo ''rodeado'' por osso, sem a interposição de outro tecido.
A primeira aplicação da técnica foi na odontologia, através da implantodontia, ciência que estuda a utilização de materiais para restaurar, através de próteses, o paciente desdentado total ou parcial, tanto estética, quanto funcionalmente.
Com a ajuda do americano Richard Skalak, que trabalhava com bioengenharia, Branemark desenvolveu desenhos e projetos de como o material poderia ser utilizado na boca. A técnica revolucionou a área, já que antes disso não havia outra solução, que não a dentadura ou próteses parciais, para o desdentado. ''Em 1965 foi feita a primeira cirurgia com a técnica para a correção de dentição de um homem'', lembra Kuabara. Hoje, no Brasil, cerca de 28 mil cirurgiões-dentistas usam a técnica, com resultados tão bons que fica difícil perceber o que é dente verdadeiro e o que é implante.
Outra descoberta importante de Branemark foi a utilização da osseointegração no tratamento de casos de crianças com Síndrome de Treacher Collins, doença em que o indivíduo nasce sem a orelha e a cavidade do ouvido. ''O indivíduo não é surdo, mas é tratado como tal ou como um deficiente mental, já que não tem condições de captar o som''. Kuabara explica que a cirurgia corretiva implanta um aparelho auditivo no osso mastóide, na região onde deveria estar a orelha. O aparelho capta o som e através do osso essa frequência é transmitida ao cérebro. A cirurgia ainda permite a colocação de orelhas para a correção estética. ''No Brasil já são dois ou três pacientes com implante de aparelho auditivo'', afirma Kuabara.

*SERVIÇO
- O 1º Encontro Científico da Sociedade Paranaense de Osseointegração acontece nos dias 21 e 22 de outubro no Centro de Convenções do Hotel Sumatra, em Londrina.
- Informações e inscrições através dos telefones (43) 3327-4133 e 3327-6676.

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