Tiroteio no pátio do Aeroporto de Cumbica causa pênico entre funcionários
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de abril de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 09 (AE) - Quatro rapazes, em duas motocicletas, tentaram assaltar na manhã de hoje um homem que comprava tíquetes-refeição dos funcionários da empresa de Serviços Auxiliares de Transportes Aéreos (Sata). O ataque ocorreu no pátio da Sata, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São Paulo, e levou pânico a dezenas de funcionários. A fuga do homem, que correu na direção de dezenas de funcionários da empresa de serviços, irritou os ladrões.
Eles tentaram matá-lo com tiros de pistolas automáticas calibre 9 milímetros. As balas acertaram portas e vidros de dois Fiats, um Escort e um Monza que estavam estacionados. O vigilante Ivanildo Vieira dos Santos, responsável pela portaria da Sata, enfrentou os ladrões e chamou a Polícia Militar. O homem atacado pelos assaltantes é conhecido por Alemão. Segundo testemunhas ouvidas no inquérito ele frequenta o pátio da Sata há muito tempo.
Nos dias de pagamento, aparece logo cedo para comprar os tíquetes-refeição e os vales-transporte distribuídos pela empresa a seus empregados. O delegado Jorge Esper, da Delegacia da Polícia Civil, no aeroporto, informou que as pessoas ouvidas não souberam dizer o nome do rapaz. Os empregados da Sata conhecem o homem pelo apelido e, para o delegado, a identificação e a localização de Alemão é importante. "Precisamos saber exatamente o que aconteceu".
O policial é o responsável pela investigação e acredita em assalto. Mas registrou a ocorrência como tentativa de homicídio. "Tudo indica que se tratou de uma tentativa de roubo
mas não posso descartar também uma possível vingança". A suspeita do delegado é porque um dos quatro homens chamou-o pelo apelido. Esper soube que às 6h30, Alemão, como fazia todos os dias de pagamento, já estava à espera dos funcionários do turno da madrugada para comprar os tíquetes.
Os ladrões chegaram 15 minutos depois e aproximaram-se de Alemão com suas motos. Testemunhas viram os que estavam na garupa receberem as armas automáticas de um homem no volante de um Monza. Um dos rapazes pilotando uma moto Honda gritou "pára aí, Alemão" e foi o suficiente para a fuga do comprador de tíquetes. Ele desapareceu em meio aos empregados da empresa de serviços. Movimento - Dois funcionários da Sata que vendem tíquetes há muito tempo para Alemão explicaram que nos dias de pagamento ele carrega grande quantia em dinheiro, pois a compra dos papéis é feita à vista. Dezenas de empregados trocam os vales e o movimento é grande. Um dos funcionários contou que Alemão muitas vezes chega a adiantar dinheiro para os "clientes" mais antigos. Ele cobra os juros em vales e tíquetes.
A alegação dos dois é que trocam os vales porque precisam de dinheiro para pagar pequenas dívidas. Em menos de um ano, Alemão expandiu seus negócios. Perícia - Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) foram chamados e examinaram os quatro carros atingidos pelos tiros. Recolheram nove projéteis de calibre 9 milímetros dentro e próximo dos veículos. O vigilante Santos declarou ao delegado que os passageiros das garupas com as automáticas atiraram sem parar e diversos funcionários poderiam ter sido atingidos. "Com os tiros, eles se jogaram no chão". O setor de segurança da Sata informou que a empresa desconhece a venda de tíquetes por seus funcionários.


