Valmir Denardin
Enviado a Ramilândia
Um tiroteio ocorrido ontem na Fazenda Casa Amarela, no município de Ramilândia (a 105 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), deixou sete pessoas feridas. De acordo com os médicos, apenas uma delas corria risco de vida. Parte da propriedade, de 206 alqueires, está ocupada há dez meses por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante o tiroteio, uma das casas da fazenda foi queimada.
Líderes do MST no acampamento ouvidos pela Folha disseram que quatro dos sete feridos – três homens e uma mulher – são acampados. Outros dois – um casal – seriam trabalhadores rurais que chegavam ao local para buscar um grupo de oito sem-terra que eventualmente trabalha para eles. O oitavo ferido, Sérgio Soares Santos, de 24 anos, é parente de funcionários da fazenda. O delegado de Ramilândia, José Luiz Seefeldt, disse que três dos feridos seriam funcionários da fazenda. Os sete permaneciam internados em hospitais de Matelândia e Missal. A situação mais grave era de Darci Rosa Barros, de 39 anos, que recebeu um tiro no pescoço.
Há duas versões para a causa do tiroteio, ocorrido no início da manhã. De acordo com o MST, funcionários da fazenda e pistoleiros – entrincheirados na sede – começaram a atirar contra os barracos dos sem-terra. Funcionários da fazenda declararam à polícia que houve confronto. O conflito teria sido gerado pela tentativa dos sem-terra de tomar a sede.
‘‘Eles armaram uma farsa e até se feriram para nos incriminar’’, disse Carlos Souza, 28, líder do MST no acampamento. ‘‘Nos últimos dias, os donos trouxeram pistoleiros’’, completou. No último sábado, o MST denunciou ao delegado de Ramilândia que os assentados estavam sofrendo ameaças.
Até o final da tarde de ontem, a Polícia Militar já havia apreendido quatro espingardas na sede da fazenda. Nenhuma arma foi encontrada com os sem-terra. Uma das espingardas apreendidas – calibre 32, carregada – foi encontrada pela reportagem da Folha, ao lado de uma das casas da sede.
Cinco funcionários da fazenda foram detidos e levados à Delegacia de Matelândia para serem ouvidos. O delegado Antônio Carlos Brandão disse que o objetivo das detenções é também resguardar a integridade física deles. Outros cinco homens que estavam na sede da fazenda no momento do tiroteio fugiram, abandonando no local num Santana com placa de Maringá, onde mora o dono da área, Marcos Antônio Baptista.

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