Tiroteio durante show em Santos termina com três feridos
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Cida Oliveira, especial para a AE 
Santos, SP, 21 (AE) - Um tiroteio acabou com o show do conjunto Art Popular, na madrugada de hoje, no Clube de Regatas Vasco da Gama, em Santos, litoral paulista. Três jovens foram atingidos com os disparos e levados para a Santa Casa. Um rapaz de 17 anos foi baleado na mão e a namorada ferida, de raspão, no abdôme. Outro jovem, de 18 anos, levou um tiro no tórax e outro de raspão na cabeça. Os dois jovens alvejados estão internados mas não correm perigo de vida e a moça que recebeu tiro de raspão já foi liberada.
De acordo com pessoas que estavam no show, todos passaram por revista antes de entrar no clube para assistir ao espetáculo de pagode. A arma teria entrado depois que os organizadores do evento abriram os portões, para evitar problemas, devido a uma briga entre duas mulheres, que acabou gerando um tumulto. Segundo testemunhas, foi nessa hora que um rapaz saiu, retornando pouco depois com um revólver, com o qual efetuou disparos contra um dos 30 seguranças contratados para garantir a tranquilidade do evento. Nenhum deles foi atingido. Um segurança armado começou a atirar, iniciando o tiroteio, por volta das 3h30 de hoje.
Os cinegrafistas da TV Tribuna chegaram a filmar o tiroteio e o homem que entrou com o revólver. Porém, as duas fitas foram roubadas de dentro do carro da equipe da TV, quando ele foi estacionado em frente à Santa Casa. A polícia foi chamada assim que a confusão começou mas, segundo os organizadores do show, demorou para chegar. Eles garantem que o clube encaminhou ofício solicitando policiamento, mas o carro da PM não permaneceu fixo no local. Com o pânico, pessoas que estavam com cecular ligaram, insistentemente para 190. Sindicância - O comandante da Polícia Militar em Santos, coronel Fernando de Paulo Lima Júnior determinou, hoje à tarde, abertura de sindicância para apurar possíveis irregularidades na atuação da PM, durante o show do Art Popular, no Vasco. De acordo com tenente Waldir Suita de Moares, chefe do Centro de Operações da PM em Santos e São Vicente, o atendimento pelo 190 foi feito. "A partir do primeiro telefonema já foram tomadas as providências. De 3h20 a 3h30 recebemos 40 ligações pelo 190 e como o clube fica na Ponta da Praia, as ligações por celular caíram no Guarujá e lá o atendimento é pequeno", disse. O caso foi registrado no 3º Distrito Policial pelo delegado Francisco Morgado Lanfredi. Depoimento - De acordo com a jornalista Vanessa Faro, que esteve no show do Art Popular, o tumulto começou quando o grupo estava na sexta música. "As pessoas começaram a gritar e a correr e, de repente, começamos a escutar o barulho de tiros, seguido de pânico geral".
Segundo ela, eram muitos tiros e "parecia que não ia terminar nunca". Vanessa revelou ainda que de acordo com testemunhas a arma teria sido pega fora do clube, uma prática comum, uma vez que jovens de gangues escondem revólveres em pontos estratégicos da avenida da praia. A jornalista disse que havia um carro da PM antes de começar o show. "Mas na hora do tiroteio os PMs não estavam no local. "Várias pessoas ligaram para o 190 e eu também, por cinco minutos mas nínguem atendia. Quando a PM chegou já tinha acontecido o tiroteio. A polícia levou de 10 a 15 minutos para chegar".


