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Tiros interrompem nova doação e deixam mais um homem morto no Rio


PAULINE ALMEIDA
PAULINE ALMEIDA

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Pelo segundo dia seguido, uma distribuição de cestas básicas foi interrompida por um tiroteio no Rio de Janeiro. Na tarde de quinta-feira (21), moradores do Morro da Providência, comunidade da região central, viram-se em meio a um confronto, que terminou com um homem morto pela Polícia Militar.

Na quarta (20), voluntários da Cidade de Deus, na zona oeste carioca, tiveram que se proteger de tiros enquanto também entregavam alimentos em uma ação social. João Vitor Gomes da Rocha, 18, morreu. No dia seguinte, foi a vez de Rodrigo Cerqueira da Conceição, 19.



O professor de Sociologia Pedro Guilherme Freire conta que estava prevista para quinta a entrega de 50 cestas básicas em frente ao Colégio Estadual Reverendo Hugh Clarence Tucker, onde ele dá aula. Quando se dirigia à escola, relatou que algumas viaturas da Polícia Militar chegaram.

"Houve um primeiro disparo. Saíram das viaturas encapuzados, com fuzil para tudo quanto é lado. Era muita gente que estava lá para receber a cesta, inclusive crianças", disse Freire.

As cestas seriam entregues por meio da campanha iniciada pelo grêmio estudantil e por professores do colégio estadual em parceria com o pré-vestibular Machado de Assis, que fica na Providência.

"Foi quando teve outro disparo e mataram um garoto. Aí começou uma gritaria imensa, outros tiros. A gente conseguiu ver lá de cima, dava para ver esse prédio onde estavam morando as famílias que foram despejadas da Providência, quando houve a construção do teleférico. Eu vi que jogaram o menino dentro da viatura, colocaram um lençol por cima", afirmou o professor.

O jovem Rodrigo Cerqueira da Conceição seria trabalhador informal em uma barraca. Moradores tentaram impedir que os policiais militares colocassem o rapaz ferido na viatura, pois acreditavam que ele ainda estava vivo, mas foram impedidos.

A Polícia Militar apresenta uma versão diferente. Segundo a assessoria de imprensa, equipes da Unidade de Polícia Pacificadora Providência realizavam patrulhamento pela rua Rivadávia Corrêa, no Santo Cristo, e teriam sido atacadas a tiro por criminosos.

Ainda de acordo com a PM, houve confronto e um suspeito foi atingido, levado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, onde não resistiu. Com ele, a Polícia Militar disse ter apreendido uma pistola calibre 9 mm, um carregador municiado e drogas.

A corporação ainda fala que precisou usar "armamento de menor potencial ofensivo" porque, durante o socorro, moradores teriam tentado investir contra os policiais.

Questionada se o rapaz morto teria algum antecedente criminal, a Polícia Militar respondeu que a identificação dele estava a cargo da Delegacia de Homicídio da Capital, que vai investigar o caso. A Polícia Civil não retornou o contato até a conclusão deste texto.

Testemunhas contestam a informação de que Rodrigo Cerqueira da Conceição teria envolvimento com crimes. O rapaz era aluno do colégio estadual, cuja comunidade escolar organizou a ação solidária.



"Até onde eu sei, pelas informações que eu tenho, ele não tinha envolvimento [com o crime], inclusive tinha um problema de visão. Os óculos dele são bem grossos, não enxergava direito, precisava se sentar nas primeiras filas para enxergar o quadro e copiar a matéria. Era um garoto calmo, tranquilo, bom garoto, educado", contou um dos professores do jovem, bastante abalado com a notícia da morte.

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