Tiro isolado provoca a décima morte em Washington
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terça-feira, 22 de outubro de 2002
Patrick Anidjar<br> France Presse 
Silver Spring - Um homem foi assassinado ontem em um subúrbio do norte de Washington, em circunstâncias que lembram o 'modus operandi' do franco-atirador que há 20 dias impõe o terror na capital federal americana e seus arredores.
A polícia confirmou que a vítima, Conrad Johnson, motorista de ônibus de 35 anos de idade, foi atingida no peito um pouco antes das seis da manhã (hora local) quando se dirigia a seu veículo, antes de iniciar seu turno em Silver Spring, um bairro residencial ao norte de Washington.
O homem morreu cinco horas mais tarde na mesa de cirurgia. Familiares, chorando, chegaram pouco depois da morte ao hospital de Bethesda (Maryland).
Até o início da noite, a polícia ainda não havia confirmado o vínculo entre este tiro e o assassino que desde 2 de outubro consegue escapar da rede de policiais que vigiam a região.
Caso a polícia confirme que o motorista é uma nova vítima do franco-atirador, será a décima pessoa morta pelo misterioso assassino, que também feriu outras três desde o início dos ataques no princípio do mês.
''Escutei apenas um tiro, um barulho muito forte'', relatou à imprensa Rosetta Talley, uma moradora do bairro que passeava com seu cachorro, como em todas as manhãs, perto do terminal de ônibus.
Essa região, no subúrbio norte da capital, foi o local onde o assassino começou a aterrorizar a região de Washington há três semanas.
Minutos depois do disparo, a polícia instalou um dispositivo para controlar o trânsito com a esperança de capturar o assassino. Membros de unidades especiais da polícia, com o dedo no gatilho, vigiaram os automóveis que circulavam pela região.
Os motoristas de caminhonetes brancas tipo de veículo que as testemunhas observaram nos assassinatos anteriores saíram de seus veículos com as mãos sobre a cabeça. Alguns foram jogados no chão e algemados por policiais, que os ameaçavam apontando suas armas.
Horas depois do tiro, os helicópteros da polícia continuavam sobrevoando a área e os cachorros farejavam os arredores, na expectativa de encontrar qualquer indício, em especial na espessura das florestas próximas ao local do assassinato.
Por outro lado, especialistas em balística tentavam medir o ângulo de tiro a partir do impacto da bala e encontrar assim a única pista que permita determinar a origem do tiro.
Na segunda-feira, depois de um mal-sucedido contato telefônico de 30 segundos com o suposto assassino, a polícia lhe solicitou, através dos meios de comunicação, a retomada do contato.
Segundo o jornal Baltimore Sun, a ligação era incompreensível, provavelmente porque se tratava de uma mensagem registrada em um gravador ou através de um aparelho que deforma a voz.


