Tirar passaporte requer paciência
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2003
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Tirar o passaporte neste final de ano é para quem tem tempo e paciência. A procura pelo documento dobra nessa época. Aliado a isso, a paralisação dos policiais federais no início do mês, em protesto pela reforma na Previdência, e o problema na emissão das cadernetas pela Casa da Moeda complicaram ainda mais a situação. É preciso chegar cedo para garantir uma senha e esperar, no mímino, duas horas para ser atendido.
A delegada-chefe em exercício, da Delegacia de Polícia de Migração, Priscila Rubel Fanini, disse que o movimento é normal para o período e que ninguém está deixando de retirar o documento, mas reforça: é preciso ter paciência. No posto da Polícia Federal (PF), no centro de Curitiba, onde são emitidos os passaportes, apenas três agentes estão trabalhando no atendimento.
Até a semana passada, informou Priscila, estavam sendo emitidos, em média, 150 passaportes por dia. Para dar conta da demanda, esta semana, foi instituído limite de 100 senhas diárias, que são distribuídas até as 16 horas. Mas quem não chega cedo corre o risco de ficar sem.
Esse foi o caso da estatística Neli Melo, que segunda-feira, tentou pela terceira vez tirar o documento para a filha. Ela mora em Maringá e estava em férias na Capital, onde o marido dela, o redator Ladier Spercoski, mora. A primeira tentativa foi na sexta-feira da semana passada. Por causa do feriado de emancipação política do Paraná, a PF também folgou. Na segunda-feira seguinte, Neli disse que chegou às 10 horas e as senhas já haviam acabado. Desta vez ela chegou às 9 horas e conseguiu senha. Foi atendida perto das 15 horas e toda espera foi em vão: ela saiu sem o documento.
O problema foi burocrático. Como é domiciliada em Maringá, o documento para a filha só pode ser emitido lá. Neli terá que recolher nova taxa (R$ 89,71) em sua cidade domicílio, já que o pagamento feito em Curitiba não vale para lá, e entrar com um processo pedindo ressarcimento do valor pago na Capital.
Apesar de todo transtorno, Neli acha válida toda burocracia. Para ela, é uma segurança de que não é fácil sair do País com uma criança. A família, principalmente a pequena Letícia, espera conseguir o documento o quanto antes para conhecer a Disney em janeiro.


