Tipo raro de encefalite mata três pessoas em Nova York
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Anne Underwood, da Newsweek 
Nova York (AE-NEWSWEEK) - A dra. Deborah Asnis ficou perplexa. Chefe da divisão de doenças infecciosas do Hospital Flushing em Nova York, ela estava com três pacientes idosos na unidade de terapia intensiva com febre alta. Eles não reagiam a antibióticos ou a remédios contra vírus.
Asnis telefonou para o Departamento de Saúde do município em 23 de agosto para saber se algo incomum estava acontecendo na cidade. Se estava, a prefeitura não tinha conhecimento. Mas funcionários começaram a entrevistar famílias de pacientes em busca de pistas. Os doentes tinham só três coisas em comum. Haviam chegado do mesmo bairro, tinham pelo menos 60 anos e estavam bronzeados. "Eles gostavam de passar o tempo no quintal", diz Asnis. Ao que parece, foi aí que contraíram o vírus transmitido por mosquito e causador da encefalite St. Louis (SLE em inglês).
A SLE ataca duas dezenas de pessoas por ano nos Estados Unidos, causando uma inflamação no cérebro potencialmente fatal. Ela nunca fora constatada antes na cidade de Nova York - mas, como não houvesse remédios eficazes em seu combate, as autoridades municipais preferiram não correr riscos. Tão logo os exames de laboratório deram positivo em 3 de setembro, funcionários municipais começaram a pulverizar a cidade com o pesticida malation. Distribuíram de graça repelente de insetos em lojas que vendem material para combate a incêndios. E instalaram uma linha telefônica direta para responder a perguntas - 32.700 na primeira semana.
Ainda assim, novos pacientes com sintomas de encefalite continuaram chegando aos hospitais. No sábado havia 9 doentes confirmados, todos com 58 anos ou mais; e 3 haviam morrido (dois deles, pacientes de Asnis). Mais 89 casos estavam sendo investigados na cidade. E a SLE não era a única doença transmitida por mosquito que preocupava o município.
Em agosto, dois meninos haviam contraído malária num acampamento de veraneio em Long Island; a doença é quase sempre trazida de fora do território americano.
As autoridades tentaram afastar os receios causados pela SLE, enquanto pediam que os moradores tomassem as devidas precauções - aplicassem repelente, usassem mangas compridas, ficassem dentro de casa ao cair da noite.
"Mesmo que a pessoa seja picada por um mosquito infectado, o risco de contrair a doença é de aproximadamente 1 em 300", disse um conselheiro médico do município. E, quando surgem sintomas, eles ocorrem entre 5 e 15 dias após a picada. Na maioria das pessoas, o pior que o vírus causa é dor de cabeça e febre. Mas, em gente idosa, pode levar à desorientação, paralisia e coma. A SLE é fatal em 5% a 15% das vítimas, em sua maioria idosos. Outros 10% a 15% sofrem lesões neurológicas duradouras.
Felizmente a SLE não se propaga com facilidade - eis por que é tão rara. "Ela não pode ser transmitida de pessoa para pessoa
só de aves infectadas para mosquitos do gênero Culex e destes para os seres humanos", diz o dr. Roy Campbell, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). "Ela tende a ser um fenômeno que ocorre de meados até o final do verão". Mas por que ocorreu neste verão, com sua estiagem nada propícia para mosquitos no leste dos EUA? Acontece que as larvas do Culex pipiens se desenvolvem nas camadas superiores de esgotos e poços de água estagnada, ainda numerosos durante o estio. Eles não gostam é de poças de água de chuvas recentes.
Mas isso não explica por que a infecção chegou pela primeira vez a Nova York. Biólogos do CDC e do Estado começaram a fazer exames em aves e mosquitos do município em busca de pistas. Suas descobertas não interromperão o surto atual, mas podem um dia contribuir para acabar com o perigo representado pela SLE.


